terça-feira, julho 29, 2008

Asleep On A Sunbeam

Belle And Sebastian
When the half light makes for a clearer view
Sleep a little more if you want to
But restlessness has siezed me now, it’s true
I could watch the dreams flicker in your eyes
Lying here asleep on a sunbeam
I wonder if you realise you fascinate me so

Think about a new destination
If you think you need inspiration
Roll out the map and mark it with a pin
I will follow every direction
Just lace up your shoes while I’m fetching a sleeping bag, a tent...

Another summer’s passing by
All I need is somewhere I feel the grass beneath my feet
A walk on sand, a fire I can warm my hands
My joy will be complete

I thought about a new destination
I’m never short of new inspiration
Roll out the map and mark it with a gin
Made my plans to conquer the country
I’m waiting for you to get out of your situation With your job and with your life
All I need is somewhere I feel the grass beneath my feet
A walk on sandA fire, I can warm my hands
My joy will be complete

sexta-feira, julho 25, 2008

Um sorriso colorido


Fico feliz de ver você assim. Aqueles seus lábio pálidos por falta de sangue foram substituídos por um sorriso cheio de luz. Parece ter dentro deles todas as sete cores do arco-íris. É um novo olhar que floresceu e essa alegria vem sendo transmitida para todos, assim como o símbolo da fraternidade humana.

Fazia tempo que eu não te via. Parece que você precisou de um tempo pra sair daquele buraco. Cara, eu fiquei sabendo que vistes a morte de perto. E pensar que o dia ia acabar tão cedo assim pra você, isso seria muito triste tendo em vista todo o caminho que você tem pela frente hoje. Talvez algumas pessoas pensaram que você jamais retornaria do vale da sombra morte, mas vendo você agora só vejo vida. O seu fortalecimento vem aumentando a ponto de outras pessoas sentirem vontade de conhecer a fonte desses sentimentos. Todas as coisas que você viveu não podem e nem devem ser ditas pra qualquer pessoa, já que tudo que tens recebido não é pra que você seja considerado melhor que ninguém e sim para sua própria evolução, a não ser que seja um momento adequado para falar. Logo você terá uma oportunidade. Aproveite e mostre o que sabe. Ainda há um longo caminho pela frente. Procure quebrar todas as misérias que existem no seu caminho e continue sonhando passeando pelas campinas sentindo a grama embaixo de seus pés e o vento agradável no rosto.

Ontem a noite você esteve com seus amigos. Essas sim são pessoas que gostam de você. Assim você pode se deitar na sua cama e dormir sem sentir febre e nem dor de cabeça por causa do envenenamento. Depois, acordar no outro dia com a sua casa cheia de alegria e harmonia é o desejo de todas as pessoas. Continue sempre com essa vitalidade em cantar, dançar, escutar música, conhecer novos lugares e pessoas e desfrutar das coisas boas da vida, assim o seu caminho será repleto de bons frutos. Sinta-se como uma criança novamente. Esqueça as cicatrizes do passado e aproveite os seus erros para dizer aos outros como se deve fazer. Talvez tenha sido por isso que você passou por tudo aquilo. Nada na vida acontece por acaso.

Você sabe de tudo isso. Eu estava lá quando você precisou de mim. Eu te amei da forma que você deveria ser e continuo te amando. E hoje estamos próximos um do outro através de nosso pensamento. Eu quero sempre te transmitir coisas boas. Eu espero que você não se esqueça das coisas que eu disse. Saiba que o seu coração possui coisas que nunca mudam e por isso o tempo nunca vai poder apagar. Por isso vá, continue crescendo e não pense que as coisas virão facilmente até que eu dia você venha a encontrar a vitória que você tanto procura.

quinta-feira, julho 10, 2008

Waiting For The Moon To Rise

Belle And Sebastian
All the way back home
I'm telling you I caught the sun
Creeping up behind my shoulder
And another day's begun
I was following a trail
I'd never been along before
Chasing darkened skies above me
Looking like the spring
Like the winterAnd the morning

If there's a place I want to go
Then I'll be there with you
'Cos in my dreams the things
I'm wishing for
Keep coming true
Now a new day comes
Clears the darkness out of sight
And the shadows that were sleeping
Come and dance beneath the light
And I'm trying hard to hide
Keeping the sun out of my eyes
Close them tight
And now I'm waiting for the moon to rise

Don't try to say to me
That this was never meant to be
'Cos the days are long where I come from
The next few days I'm free
There's a train I want to catch
But it won't leave here for a while
Till darkness fills the eastern sky
And streetlights stretch for miles
Through the spring
And the winter and the morning

quinta-feira, julho 03, 2008

Who are you?

Quem é você? Como veio parar aqui? Foi através daquele endereço? Curiosidade? Coincidência? Você acredita que as coisas acontecem por acaso? Quanto tempo de sua vida você está gastando lendo coisas estranhas ao invés de fazer aquela “pesquisa” no Google?

Sabe, isso aqui não é pra você. Cara, há pessoas estranhas que fazem coisas realmente estranhas. Talvez tenha a ver, mas não tem nada a ver. Mas também há pessoas que parecem normais que fazem coisas exageradamente estranhas. De onde você me conhece? Você me vê por aí? Talvez seja de outra cidade. É um daqueles intelectuais da gramática e fica rindo das minhas concordâncias e discordâncias? Isso aqui é um endereço público, mas não é voltado para o público. Pra quê divulgar esse endereço? Apenas está lá para alguém clicar, ler e depois ir embora. A leitura não mexe com as pessoas, as pessoas é quem mexem com a leitura. Por isso você acaba voltando, mesmo quando, decepcionado, que a derradeira postagem foi feita há dois meses ou mais, mas talvez na outra semana já tenha outra.

Isso não é nada de mais. Faz parte de quase tudo na vida, mas não se esqueça de que as idéias, quando bem colocadas, causam uma reação diferente nas pessoas, podendo despertar periféricos distintos de nossa mente. Por outro lado, a pessoa que não sabem se expressar deixam de fazer uso de um dom que todos possuem: a palavra, a forma de externar as idéias. Nem é tão difícil fazer isso, mas também não é tão fácil. Com o tempo você nem precisa de arrogância pra falar de figuras quem pensam que estou falando delas. Talvez voltam pra saber o que ta rolando ali.

Sabe, eu tenho um amigo que foi pegar você em casa e viu você em um canto sem ninguém por perto. Isso é muito triste. Mas você em alguns momentos quer se libertar das pessoas medíocres e das notícias na tv. Talvez pela janela eu tenha visto você entre seus discos e livros, absorvendo todas as inspirações que podem vir das músicas e histórias. Enterrando-se em todas as informações que você podia assimilar, e nelas você se viu dentro de um carro em alta velocidade, e tudo que você tinha na mente estava voando. Mas mesmo assim, você estava em um lugar que as pessoas apenas quisessem viver e não lutar. É quando apenas restou a sua mente para encontrar e ver as informações mais escondidas contida nos livros e perceber que quem escreveu também tinha uma realidade, a através dela pudesse moldar a sua realidade. Todas as entonações contidas em seus olhares. A partir daí você acreditou nas minhas palavras e passou a acreditar no que eu acredito.


Há braços!!!

quinta-feira, junho 05, 2008

Prece Cósmica

Secos & Molhados

Que os 4
como num teatro
conservem a mão
sem nenhum
gesto
que o vinho quente
do coração
lhes suba à cabeça
espessa
que do bolso de
cada um dos
4
como num teatro
voempombas(pombas
brancas...
e amanheça)

segunda-feira, maio 05, 2008

Simples como a natureza

Acordei, me sentei à janela e fiquei a apreciar horizonte. Quantas pessoas já fizeram isso na vida? Mas naquele dia foi diferente. Senti aquela sensação percorrer meu corpo e passar a fazer parte das minhas idéias. Comecei a imaginar que eu estava sombreado. Eu estava sombreado. Sentei-me e voltei a contemplar o horizonte. Lembrei do caminho que já percorri para chegar até aqui e procurei ver o máximo que pude de caminho que tenho a minha frente. É assim que venho seguindo. A partir de cada coisa que vou vendo e conquistando. O sofrimento diminuiu muito. Lembro das pessoas que ficara pra trás. Os meus objetivos são bem maiores agora. É bem melhor quando você passa e as pessoas não ficam olhando, dá pra perceber realmente que a vida voltou à forma como ela deveria ser. Das coisas que acontecem naturalmente. Enxergar melhor a natureza das coisas. Eu havia me esquecido que sou apenas mais uma pessoa no mundo. Andei muito pra chegar até aqui. Pensando nisso fechei meus olhos e fiz a chamada do Caminho Firme.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Reptilia

The Strokes

He seemed impressed by the way you came in.
"Tell us a story I know you're not boring"
I was afraid that you would not insist.
"You sound so sleepy just take this, now leave me"

I said please don't slow me down
If I'm going too fast
You're in a strange part of our town

Yeah, the night's not over
You're not trying hard enough,
Our lives are changing lanes
You ran me off the road,
The wait is over, I'm now taking over,
You're no longer laughing I'm not drowning fast enough.

Now every time that I look at myself
"I thought I told you this world is not for you"
The room is on fire and she's fixin her hair
"you sound so angry just calm down, you found me"

I said please don't slow me down
If I'm going too fast
You're in a strange part of our town...

Yeah, the night's not over
You're not trying hard enough
Our lives are changing lanes
You ran me off the road,
The wait is over
I'm now taking over,
You're no longer laughing
I'm not drowning fast enough.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Feliz ano novo, amiguinha.

Olá, como foram as festas de fim de ano? Como estão as festas de início de ano? Espero que tenha ficado tudo bem. Perguntaram-me se teve amigo invisível e eu não soube dizer se realmente não teve ou não me convidaram. Acredito que fim/início de ano seja um período para se limpar de muitas coisas, se livre das amizades hipócritas e renove laços importantes que você, por alguma besteira, acabou rompendo. A sua filosofia agora é “não se incomodar com ninguém”, não é isso? Agir assim é muito importante, quando não se abre mão de si. Parece que muitas coisas conspiraram a seu favor e fizeram com que a dor diminuísse bastante. A minha diminuiu e muito. Na verdade sinto que estou me curando de uma dor que me assolava há dois anos. Muitos sentimentos que foram escondidos dentro de nossas cabeças por pílulas e papéis. Ainda bem que estou aprendendo a me livrar de porcarias. “A gente nunca vai se separar”, lembra? “Você é a pessoa que eu mais amo, até mesmo mais do que ele“. Eu não acredito que falamos isso sem levar em consideração coisas que são óbvias hoje em dia. Se eu te contasse tudo o que eu passei você não acreditaria, mas se quiseres eu te mostro, queres? Tenho certeza que você ia adorar. Você sabe que eu te conheço o suficiente para afirmar isso.

Só espero que fique tudo bem mesmo. Eu não ficaria de boa se algo de ruim acontecesse. Nunca foi a minha intenção te causar qualquer tido de constrangimento. No entanto hoje vejo como é tênue a linha que separa o contato amigo entre sexos opostos. Eu sei o que é sofrer dessa forma por isso te afirmo que prefiro mil vezes um “não” do que um “não podemos estragar a nossa amizade”. Eu acho que consegui fazer isso no passado, mas agora é muito diferente. Em alguns casos e situações ficou cada vez mais difícil negar a minha natureza. A melhor forma que encontrei para superar isso foi admitindo que, mesmo parecendo irreconhecível, ainda era eu quem estava lá. Eu não sou mais ingênuo e por isso não vou mais dispensar uma fita com você. Não vou negar nada e também não quero ser tosco. Você sabe que eu sou educado e gentil, mas meu outro lado ainda parece te assustar, mas não chega a te afastar. Assim como aquela sua amiga você gosta de mim com sinceridade, eu admito isso. É só não ter medo de olhar nos meus olhos e assim falar e ouvir a verdade. Tomei a iniciativa e pronto, se não rolou sinto muito. Se bem que, acredito, não foi nada inteligente naquelas condições, né? rs. Quem sabe numa próxima?

Dessa vez eu não vou me culpar por saber que algumas pessoas se incomodaram. Elas não conhecem a minha história, nem a sua e nem a nossa, por isso, sem desrespeito, farei novamente se me sentir a vontade e por isso entendo a decisão daquele cara de se afastar de mim. Também admito que ele é legal. Eu não sou e não quero ser otário. Acho que se soubermos disso e conseguirmos nos aproximar fará com que tudo fique mais fácil para todos nós.

Chamou-me a atenção o que escrevestes um tempo atrás sobre um cara chamado Henry, o que me inspirou a escrever sobre uma amiga que mora na Inglaterra, a querida Biba Graeff. Além disso, eu realmente considero que temos uma boa história pra contar que daria muitas linhas sem provocar tédio nas pessoas. A gente se encaixa bem nas idéias, só acho que ficaríamos melhor ainda se levássemos além. Não me leve a mal, minha querida, porque eu, na minha idade, ainda me considero no direito de fazer isso sempre que puder e a situação me permitir. Sei que tenho que levar em consideração muitos fatores que impedem o livre andamento da concentração que se deve ter naquele momento, mas nada que uma hora de peso não resolva. Alguns dizem que sexo racional é absurdo. Eu não sou tão radical assim. Essas coisas acontecem todos os dias e em inúmeras festas por todo o mundo, porque não agir com mais naturalidade? Eu realmente estou de saco cheio de ser apunhalado pelas costas então quero que todas as pessoas que estão próximas olhem nos meus olhos. De vez em quando é bom ver qual que é. Basta ter em mente que sou seu grande amigo... do sexo masculino. Gostaria que houvesse uma amiga suficientemente cabeça pra dizer que, nessas horas, pra que tudo fique bem, é melhor parar de frescura e tirar a calcinha.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Electronic Renaissance

Belle And Sebastian

Play a game with your electronics
Take a step to the discotheque, and people
Go outside where there's someone watching cars go by
And the city tall with steeples

Hand in hand with the Electronic Renaissance Is the way to go, yeah
Hand in hand with the Electronic Renaissance is the way to go, boy
Hand in hand with the Electronic Renaissance is the way to go
You're learning, soon you will do the things you wanted
Since you were wearing glitter badges

If you dance for much very longer
You'll be known as the boy who's always dancing
If you work for much very longer
You'll be known as the boy who's always working

Monochrome in the 1990's
You go disco and I'll go my way
Monochrome in the 1990's
You go disco and I'll go my way
Monochrome in the 1990's
You go disco and I'll go Funkadelic, man
Is the way to go
So drop a pill and then say hello

sexta-feira, novembro 30, 2007

Entre pontes, plásticos e papéis

Mais uma vez estou aqui. Não sei quando isso acontece. Em um momento estou deitado e no outro estou andando sobre essas pontes. Embaixo corre um rio de água preta e fétida. Uma mistura de lama com centenas de garrafas, sacos plásticos, latas e coisas em decomposição. À frente vejo uma criança de uns três anos. Ela está com a boca suja e lambuzada, mas não é por causa de um doce e sim porque estava chorando. Sua mãe nem se importou em limpá-la. A mãe é nova, mas parece ter dez anos a mais. Usa apenas o suficiente para cobrir seus seios. Um cara sem camisa e com tatuagens que parecem ter sido feitas com caneta azul aparece. Ele dá um sorriso falso pra mim, como quem recebe para uma visita. “E aí meu chegado?”. A maioria dos dentes podre e o restante estragado. Está sempre com medo. Eu não deveria estar aqui. Aqui não é o lugar dos jovens engraçados que falam bobagens e das meninas sorridentes e de cabelos cheirosos. Se a maioria tivesse que vir aqui desistiria ali na entrada. Isso não é um filme e não é massa estar aqui.

Lembro do inicio aonde eu fazia questão de não esconder de ninguém. Era mais uma virtude do que um costume. Agora tento ser o mais discreto que posso. Já tive amigos que não se deram bem entrando no lugar que estou. “Tu tens sorte em nunca ter te acontecido nada porque comigo já aconteceram várias vezes” disse um amigo meu. Eu nunca passei por esse pânico. Imagino que se um dia acontecer as coisas podem mudar. O tolo é aquele que aprende com seus erros e o sábio é aquele que aprende com o erro dos outros. Ainda não me preocupo em deixar minhas coisas em um lugar seguro antes de vir. Nem ao menos tiro o meu chapéu e todo o meu dinheiro ainda continua no bolso. Que pessoa tola que sou. Existe um ciclo aonde quem tem coragem de vir pode ficar sem gastar dinheiro. “È para compensar os riscos”. As vezes sobra uma vaga para quem possui um local também. Abri mão disso e misturas improvisadas com material que corrói até automóveis já não fazem a minha cabeça há mais de um ano.

Eu não preciso mais deste lugar. Quero dar meia volta. Como é bom estar na aurora da juventude. Vejo jovens com menos de 20. Eles me parecem tão cheios de potencial e novas idéias. Só se passaram cinco anos para mim. Quando aparecia alguém novo era aquele processo de batizado e algumas técnicas eram repassadas. Lembro quando passei por isso. Foram muitos momentos de encanto. Parecia uma brincadeirinha. Lembro das meninas que hoje são da Old School. Elas pareciam tão felizes. Hoje existem calouros da época que estão mais atuantes que eu. É o que chamaríamos de empolgados. Uma espécie de vício psicológico. Em parte do dia estão com o pensamento enterrado na lama dessas pontes, embaixo de uma lata e cobertos com um saco plástico. Eu não.

sexta-feira, setembro 28, 2007

In Beteween Days

The Cure
Yesterday i got so old,
i felt like i could die,
yesterday i got so old,
it made me want to cry

Go on, go on,
just walk away
go on, go on,
your choice is made
go on, go on,
and disappear
go on, go on,
away from here

And i know i was wrong,
when i said it was true,
that it couldn't be me,
and be her in between,
without you,
without you

Yesterday i got so scared,
i shivered like a child,
yesterday away from you,
it froze me deep inside,

Come back, come back,
don't walk away,
come back, come back,
come back today,
come back, come back,
why can't you see
come back, come back,
come back to me,

And i know i was wrong,
when i said it was true,
that it couldn't be me,
and be her in between,
without you,
without you

Without you
without you
Without you
without you
Without you
without you...

quarta-feira, setembro 12, 2007

Vaidade, tudo é vaidade.

Estava descendo a ladeira de uma praça quando vi, sentado perto de um lago, um amigo que há tempos não o via. Ele é um cara muito próximo, mas de vez em quando some e reaparece do nada. Pra falar a verdade a maioria das pessoas que o conhecem acham ele estranho, mórbido e isolado. O nome dele é Elias.

Eu me aproximei e o cumprimentei. Ele me olhou meio que com um susto. Estava com os olhos caídos. Eu já estava acostumado a ver os olhos dele assim. Um dos motivos da galera o achar esquisito é o fato dele aparecer e reaparecer com um humor diferente do outro em várias situações e em momentos diferentes. Um dia, explosivo e comunicativo, e noutro disperso, chato e arrogante. Dizem que as pessoas inteligentes têm problemas de relacionamento. Se for assim acho que Elias é um gênio. Isso porque já desisti da idéia de que ele seja burro demais para tomar algumas decisões. Mas talvez esse mérito não o agrade.

Nesse dia parecia disposto a conversar e me contar tudo. Não estava sorridente, mas também não estava chateado. Ninguém gostava de puxar assunto com ele pra não incomodar, mas sempre que ele resolvia falar encontrava alguém para o escutar. Nesse dia Elias me encontrou e eu estava disposto a ouvi-lo.

Ele me contou que não se conformava em dar atenção para algo que não merecia. Disse que achava injusto o fato dele querer deixar pra lá e não conseguir. E que, definitivamente, achava injusto o fato dele fazer algo contra a sua vontade.

Eu também estranhei. Elias sempre foi um cara que não parava em lugar nenhum. Nunca foi de ficar indo atrás das pessoas. Eu diria que um dos sete pecados capitais que Elias possuía era o da vaidade.

Ele dizia que fizera papel de palhaço, mas não queria me contar muitos detalhes. Eu sentia que a vontade de fazer com que os outros o entendessem era grande, mas mesmo assim as pessoas não acreditariam. Ele já havia tentado antes e o resultado fora um desastre. Eu mesmo fiquei sabendo da onda. Antes disso ele havia feito outras coisas meio sinistras. Um papo que rolou nas festas do derradeiro final de ano e tal. Só que esse é um dos assuntos que Elias realmente não gosta de conversar a respeito. Alguns dizem até que ele tem problemas com bebidas. O pior de tudo é que ele sabe de tudo isso, motivo pelo qual as pessoas acharem que ele é muito intransigente, mas acho que ele se esforça pra ser uma pessoa melhor.

Então eu falei pra ele não se sentir assim, porque eu mesmo já presenciei algumas histórias massas feitas com a participação dele. Foram coisas que qualquer jovem da idade dele gostaria de fazer. Mas ele não dava muita bola pra isso. Parecia que a falta que o problema dele poderia proporcionar era muito grande. Então eu tentei o animar, falando que ele não deveria ficar pelos cantos e sim ir à luta. Eu sabia pra quem estava falando aquilo. Elias era um rapaz muito determinado e cheio de energia. Sempre dava um jeito de deixar todo o mundo pra cima. Só que mesmo eu falando isso ele não queria escutar. Como sempre ele parecia ter uma resposta para tudo. Eu sei que ele estava esperando que eu falasse algo que ninguém falara pra ele antes daquele momento, mas eu não consegui. Ele dizia que já havia passado dos limites da obsessão. Que se expôs demais e não cabia insistir. Que nesse processo houve amigos que choraram e gritaram juntos, mas outros riram e até mentiram. Então eu fui meio que desistindo de tentar o animar e passei a entender a história dele. Elias não perde a mania de tentar teleguiar os outros. Em certos momentos pensei que fosse proposital, mas vejo hoje que isso flui naturalmente, sem perceber ele já está falando demais, só que ele brinca demais com a mente de alguns tipos de pessoas, e isso pode ser perigoso. Ainda bem que durante a conversa percebi que, mesmo nesse estágio, ele tentava nos passar coisas positivas. Elias nunca foi uma ameaça pra mim. Possui um lugar específico pra aprender coisas a respeito de ondas positivas. Cada contato com ele é uma viagem, as vezes frenética.

Ele mesmo admite que o que sente é um castigo, tendo em vista que o pecado da vaidade o havia atraído a outro pecado, a ira. Ele disse que no dia da despedida ele viu que ela estava olhando pra ele esperando que ele correspondesse, mas a vaidade dele não permitiu. Ele achava que já era tarde demais e era melhor tratá-la como a culpada. Ele sabia que todo o mal entendido poderia ser desfeito se não fossem os jogos sujos da teleguiação. De alguma certa forma ele ainda a culpa por tudo, o pior é que ele nem sabe se ela realmente tem algo a ver com isso. Mas ainda hoje ele se envergonha de admitir que sente um nó na garganta ao lembrar de tudo o que aconteceu, não de ira, mas de tristeza. Ele só quer uma maneira de ignorar tudo isso. Portanto, ele me convenceu de que o que está passando é um castigo por causa de sua vaidade, onde a vida permitiu um sentimento mais convincente que o próprio Elias. Para o guiar para o nobre caminho da humildade e aprenda, verdadeiramente, o que é esquecer de gostar de alguém.


quarta-feira, setembro 05, 2007

Reena

Sonic youth
You keep me comin home again
You keep me comin home again
When you were gone,
I met a friend
She taught me how to
Live in the end

Are her eyes
Brown or blue?
How does she keep her
Static cool
My heart and soul
Are rocked up in her eyes
A little blink
I recognize
A little blink, yea, that's my prize
A white horse
Sittin right there by her side

Hard to ignore
Hard to disguise
She'll never ever
Realize...

You keep me comin home again
You keep me comin home again
When you were gone
I was out of my mind
I had a friend who laughed all the time
I had a friend who cried all the time
I had a friend who screamed all the time
I had a friend who lied all the time

quarta-feira, agosto 15, 2007

Duas filas



Mesmo sendo um pouco distraído ainda encontramos um jeito de visualizar duas filas à frente. Uma é de pessoas muito massa, que de vez em quando encontramos por aí pra falar sobre teorias criacionistas jogando um xadrez ou até mesmo batendo boca por alguma coisa. A outra é de pessoas que por algum motivo se deixaram corromper pela inveja e violência. Acho que são dois estilos de rock ´n roll. Um é daqueles com letras bem trabalhadas e uns arranjos muito firmes e a outra é um punk sem atitude, antiquado e sem graça.

É tipo assim, a gente que ta no movimento sabe que dentro de um processo amplo existem músicas e ouvintes legais ou, digamos, incompatíveis, já que dentro de uma formulação o que prevalece é a argumentação, a livre troca de idéias e a apresentação de resultados.

Uma vez, quando eu ainda era aluno assíduo no meu Curso de Bacharelado e Licenciatura Plena em História, na Universidade Federal do Amapá, me interessei e comprei o livro “Sobre História” do professor Erick Hobsbown, que é considerado o maior historiador vivo. Logo na parte introdutória de um dos artigos (o livro é uma coletânea de artigos) ele fala de toda a sua experiência. Ele toca no assunto de que, mesmo em uma sala de aula, nós sempre encontramos aqueles alunos que são brilhantes, e por isso é dele que gostamos de estar perto, mas o professor Hobsbown continua a história e fala que, na verdade, esse aluno brilhante é o que menos precisa da gente. Quem precisa mais do professor são aqueles alunos que tem dificuldades de aprender e é pra eles que os educadores devem se dedicar para que realmente haja crescimento social.

Esse texto do professor Hobsbown (não precisa dizer que ele é um cara massa rs) me serve de baliza até hoje. Sempre procuro pensar que as pessoas que parecem ter pouco potencial só precisam de uma chance pra agarrar a oportunidade com unhas e dentes e fazer muito mais do que, digamos, os capacitados. Processo de discussão e de construção é assim mesmo. Pode existir um milhão de pessoas aplaudindo, mas sempre vai ter aqueles coleguinhas que vão ficar secando a parada. Isso é muito normal (não posso falar que é saudável). Estou quase chegando à conclusão de que maluco antigo é o tipo de aluno mais reacionário que existe.

Ainda bem que temos uma história. Na hora de mobilizar a galera a gente ia lá e arrebentava. Não importava se fosse aqui ou no Rio Grande do Sul, na rua ou num auditório, com dois ou mais de dez mil estudantes de todo o país. A gente chegava lá e mandava ver. Era um processo muito rico, e isso nos deu muita educação, mas mesmo fazendo tudo isso ainda não era o bastante e sempre rolava um sentimento de falta de reconhecimento, só que isso passava (e passa) bem depressa. Acho que as pessoas politizadas entendem esse processo como parte fundamental para o diálogo e visualiza até o surgimento de uma outra organização como positiva. Sinto pelas pessoas que nunca passaram por uma academia e um movimento de verdade para entender o que significa a troca de idéias e a construção coletiva.

Ainda bem que continuo visualizando duas filas, e na outra estão pessoas que passam muita força. Só de olhar nos olhos de algumas eu entendo tudo e isso nos motiva a continuar encarando preconceitos e quebrando antigos conceitos, tendo em vista que o anzol sempre volta e a verdade sempre aparece. A gente vai continuar avançando e se superando. Quem quiser é só chegar porque aqui estamos muito ocupados pra ficar mantendo rancores e porcarias sentimentais. E é bom se decidir logo se você vai entrar na fila pra me dar um soco ou na outra pra ser meu fã.

sábado, agosto 11, 2007

Blood talkin'

Vanguart

Never sang words so sad
I never carried the world in my head
But the words i used to say
Don't fit anymore on our way
Not even that blood talkin'
You'll find me gone soon
Maybe till the next noon
And your life will be so calm
Without sad pictures on your home
Nothing but happiness
No more mornings filled with smiles
No more sensitive sighs
Cause the way you treated me today
Showed me i'll never see you again
I'm wearing so well this pain.

segunda-feira, julho 30, 2007

Silêncio

Ela chegou lá em casa. Falei pra ela não dormir na rua, mas ela estava tão animada. Acho que a rotina dela passou a ser assim: primeiro ela se decepciona, depois vai passar um tempo com a família, conviver com a mãe, os avós e com todos que estão próximos. Seus amigos de infância. Ela é apenas uma criança. Não chegou aos dezoito anos. Dá pra ver que ela não entende muita coisa da vida e sobre as pessoas. Acho que sua diversão não é muito boa, mas não sei por que ela parece gostar do que faz. Já eram quatro da manhã quando ela bateu na porta. Deixei que entrasse. Ela estava decepcionada novamente. Não falei nada. Ela também não disse nenhuma palavra. Apenas enterrou o rosto no colchão e continuou chorando baixinho pra não atrapalhar meu sono.

segunda-feira, julho 23, 2007

I could be dreaming

Belle & Sebastian
I could be sleeping
I could be dreaming
I could have ordinary people chasing me from town to town
Mission Impossible
They've got a spy for every blink of your eye

I'm feeling hunted
I'm feeling haunted
They've got a knife for every time you take the same train into work
A family's like a loaded gun
You point it in the wrong direction someone's going to get killed

If you had such a dream
Would you get up and do the things you've been dreaming

Is he your husband?
Or just your boyfriend?
Is he the moron who's been beating you and keeping you inside?
I've never done this kind of thing But if I kill him now, who's going to miss him?

I went up to the schoolI took a walk up Castlehill
For every step there is a local boy who wants to be a hero
Do you want to do it now?
Outside the butchers with a knife and a bike chain

quarta-feira, julho 18, 2007

Was that a dream?

Fui a casa dela esta manhã. Estava com uma blusa longa e uma calça toda suja de tinta. Ela a usa para trabalhar. Esperava que fosse abrir a porta sorrindo como sempre, mas dessa vez foi deferente. Estava chorando. Não sabia o que dizer ou o que fazer. Ela tinha uma dor. Pediu pra que eu a tirasse. Parecia o fim de algo que havia começado há tempos. Dezenas de conflitos e memórias. Não sei de onde elas vinham. Ela parece ter uma vida normal: mãe, pai, irmão, cachorro... Havia esquecido que a solidão independe do fato de se estar cercado por pessoas. Ela me prova mais uma vez que não. Faz tanto tempo que eu nem sei mais como é não estar sozinho. Só sei que ela estava chorando. Não conseguia andar direito. Tentei ajudar como pude. Falei algumas coisas engraçadas. Não deu muito certo. Ela não queria esquecer. Fiquei próximo. Fiquei triste também. Senti-me bem ao lado dela. Fez-me lembrar de um sonho. Era o rosto dela que estava lá. Derrepente ela me manda embora. Disse que iria resolver tudo. Tinha que ser naquela hora. Acho que ela desistiu da idéia. Dei tchau. Tudo não passou de um sonho.

sexta-feira, junho 22, 2007

Malevolosidade

Superguidis
Fale tudo que quiser de mim
Faça de conta que eu sou uma imensa pá de lixo verbal
Um objeto onde você possa despejar
Toda a malevolosidade
Não sei se existe essa palavra
Já procurei no dicionário
Pra tu ver que eu

Não sou um cara ruim
Não sou um cara ruim
Eu sei que não sou um cara ruim
Não sou um cara ruim

segunda-feira, junho 11, 2007

Será que podemos?

Hei galera, vamos lá. Esta é a nossa oportunidade. Vamos jogar tudo pra cima, arrumar um modo de mandar todo mundo tomar no cú sem brigar com ninguém. A gente cria polêmica no início e surgirão os anti-nós, mas depois poderemos olhar para o que fizemos e dizer “era isso o que eu estive fazendo na minha juventude”. Cara, temos tudo em nossas mãos, nós podemos. Quem mais fará no nosso lugar? Aproveitem os conselhos de suas mães, mas cheguem pra elas e digam “daqui pra frente eu vou fazer essa parada, sei que a senhora vai arrancar alguns cabelos da cabeça, mas logo a senhora vai começar a me entender”. Daí a gente vai para aquele lugar pra tirar tudo da cabeça e do papel e socializar com um monte de gente. Seremos mais do que parceiros, também seremos amigos, porque, apesar de sermos exatamente iguais, somos completamente diferente dos outros. Até mesmo a sala de aula com toda aquela discussão sobre “história de alguma coisa” ou “teoria não sei de quê” acabam nos deixando mais enrolados do que já estamos. Será que todos nós fomos feitos pra se adaptar a alguma coisa? Aqueles meninos e meninas-robôs da sua sala que parecem estudar todos os dias e não aprendem nada. Não sabem relacionar a discussão com a realidade. Puta que pariu! Onde estão as novas idéias que se renovam dentro de uma nova geração? Há muito tempo pela frente, só que o momento não pode esperar é muita coisa pra ser feita e as mudanças ocorrem em uma velocidade estonteante.

Se esperarmos mais mataremos a nossa juventude de tédio. Eu não quero isso e sei que ninguém aqui quer. Cara, com tanta coisa pra pensar então por que nós não escolhemos pensar em “o que faremos para nos sustentar?” Se você não tiver uma pensão no Inss vai ter que trabalhar, e, se for o caminho convencional, vocês vão pegar os seus diplominhas universitários ou de uma faculdade perereca, seus pais vão se emocionar e tal, mas e depois? Aonde vamos trampar? Vamos procurar uma empresa que nos force a escrever um texto com Ctrl+C e depois Ctrl+V? Pra tirar fotos para um jornal chato e de direita? Ficaremos olhando um monte de gente ganhando rios de dinheiro com cultura-lixo?É mais fácil assim, né? Digo... Entrar em uma relação onde já existe uma sala pronta, um Club legal, a sujeira do lugar é bem camuflada, o plano de cargos está inteiramente atrelado à política. Ainda por cima existem todos aqueles conselhos de suas mães no sentido de “não importa o trabalho, se te pagarem bem você logo vai gostar dele, então relaxe e goze”. O problema é que rapidamente se torna excessivamente chato. Vocês logo serão humilhados porque seus chefes não aceitarão o fato de vocês serem mais inteligentes que eles e vocês ficarão putos por terem chefes tão burros. Terão que aceitar o fato de serem inferiores, pois, afinal, eles estarão te pagando. Nem seus professores universitários admitem perder uma discussão pra vocês. Daí os seus sacrifícios se tornarão em decepção, porque perceberão que fizeram papel de otários e, por problemas de egos, não foram valorizados. Um dolorido pé-na-bunda é o que restará. O caminho da acomodação é o que todas as cabeças, duras ou não, procuram, mas o problema é que este também é o caminho de aceitar todas as cagadas escrotas que existem hoje no mundo como o papo de “monopólio de conhecimento”, “identidade cultural”, “liberdade de expressão” e um monte de iniciativas importantes que poderiam proporcionar demandas de emprego para muitos coleguinhas de nossa cidade e de todo o país que se formam e não encontram vaga na sua área de conhecimento. Vocês morreriam duas vezes antes de ficarem se vendendo até o final da vida, além disso, vocês olhariam para trás e diriam “puta-que-pariu, tarde demais, aquela história já foi escrita”.

É sim, a gente faz uma coleta na hora do almoço, daí escolhe duas pessoas pra cuidar da louça e mais duas pra cuidar da “casa”. E quando alguém estiver com preguiça pague outro alguém com aquele crédito pra realizar suas tarefas. A gente não vai morrer se lavar algumas roupas ou até mesmo se não tiver grana pra comprar um sapato a cada mês. É verdade que poderemos chorar algumas vezes. Foda-se. Nós não iremos nos arrepender da maior parte. Estaremos ali fazendo algo que ninguém teve o queixo de fazer, trabalhando mentes e corações para a mudança de conceitos. Seremos os nossos chefes. Eu sei que é muito escroto quando a gente discorda de algo, ainda existem muitos pontos que ainda estão se acertando e outros que parecem nunca ter mudado, mas quando a gente resolve fazer alguma coisa juntos geramos uma força tão grande que fico empolgado só de pensar nela. O restante continuará em suas casas esperando que alguém faça alguma coisa, pensando no horário onde poderão sair e encontrar um lugar pra se livrarem de seus impulsos químicos, se curarem de seus excessos de melancolia, falta de criatividade e atitude. Nós teremos muitas coisas pra fazer todos os dias e seremos pagos pra viajar por eles. Enquanto todos estiverem pirando, nós, além disso, estaremos nos alimentando de tudo.