quarta-feira, agosto 15, 2007

Duas filas



Mesmo sendo um pouco distraído ainda encontramos um jeito de visualizar duas filas à frente. Uma é de pessoas muito massa, que de vez em quando encontramos por aí pra falar sobre teorias criacionistas jogando um xadrez ou até mesmo batendo boca por alguma coisa. A outra é de pessoas que por algum motivo se deixaram corromper pela inveja e violência. Acho que são dois estilos de rock ´n roll. Um é daqueles com letras bem trabalhadas e uns arranjos muito firmes e a outra é um punk sem atitude, antiquado e sem graça.

É tipo assim, a gente que ta no movimento sabe que dentro de um processo amplo existem músicas e ouvintes legais ou, digamos, incompatíveis, já que dentro de uma formulação o que prevalece é a argumentação, a livre troca de idéias e a apresentação de resultados.

Uma vez, quando eu ainda era aluno assíduo no meu Curso de Bacharelado e Licenciatura Plena em História, na Universidade Federal do Amapá, me interessei e comprei o livro “Sobre História” do professor Erick Hobsbown, que é considerado o maior historiador vivo. Logo na parte introdutória de um dos artigos (o livro é uma coletânea de artigos) ele fala de toda a sua experiência. Ele toca no assunto de que, mesmo em uma sala de aula, nós sempre encontramos aqueles alunos que são brilhantes, e por isso é dele que gostamos de estar perto, mas o professor Hobsbown continua a história e fala que, na verdade, esse aluno brilhante é o que menos precisa da gente. Quem precisa mais do professor são aqueles alunos que tem dificuldades de aprender e é pra eles que os educadores devem se dedicar para que realmente haja crescimento social.

Esse texto do professor Hobsbown (não precisa dizer que ele é um cara massa rs) me serve de baliza até hoje. Sempre procuro pensar que as pessoas que parecem ter pouco potencial só precisam de uma chance pra agarrar a oportunidade com unhas e dentes e fazer muito mais do que, digamos, os capacitados. Processo de discussão e de construção é assim mesmo. Pode existir um milhão de pessoas aplaudindo, mas sempre vai ter aqueles coleguinhas que vão ficar secando a parada. Isso é muito normal (não posso falar que é saudável). Estou quase chegando à conclusão de que maluco antigo é o tipo de aluno mais reacionário que existe.

Ainda bem que temos uma história. Na hora de mobilizar a galera a gente ia lá e arrebentava. Não importava se fosse aqui ou no Rio Grande do Sul, na rua ou num auditório, com dois ou mais de dez mil estudantes de todo o país. A gente chegava lá e mandava ver. Era um processo muito rico, e isso nos deu muita educação, mas mesmo fazendo tudo isso ainda não era o bastante e sempre rolava um sentimento de falta de reconhecimento, só que isso passava (e passa) bem depressa. Acho que as pessoas politizadas entendem esse processo como parte fundamental para o diálogo e visualiza até o surgimento de uma outra organização como positiva. Sinto pelas pessoas que nunca passaram por uma academia e um movimento de verdade para entender o que significa a troca de idéias e a construção coletiva.

Ainda bem que continuo visualizando duas filas, e na outra estão pessoas que passam muita força. Só de olhar nos olhos de algumas eu entendo tudo e isso nos motiva a continuar encarando preconceitos e quebrando antigos conceitos, tendo em vista que o anzol sempre volta e a verdade sempre aparece. A gente vai continuar avançando e se superando. Quem quiser é só chegar porque aqui estamos muito ocupados pra ficar mantendo rancores e porcarias sentimentais. E é bom se decidir logo se você vai entrar na fila pra me dar um soco ou na outra pra ser meu fã.

sábado, agosto 11, 2007

Blood talkin'

Vanguart

Never sang words so sad
I never carried the world in my head
But the words i used to say
Don't fit anymore on our way
Not even that blood talkin'
You'll find me gone soon
Maybe till the next noon
And your life will be so calm
Without sad pictures on your home
Nothing but happiness
No more mornings filled with smiles
No more sensitive sighs
Cause the way you treated me today
Showed me i'll never see you again
I'm wearing so well this pain.

segunda-feira, julho 30, 2007

Silêncio

Ela chegou lá em casa. Falei pra ela não dormir na rua, mas ela estava tão animada. Acho que a rotina dela passou a ser assim: primeiro ela se decepciona, depois vai passar um tempo com a família, conviver com a mãe, os avós e com todos que estão próximos. Seus amigos de infância. Ela é apenas uma criança. Não chegou aos dezoito anos. Dá pra ver que ela não entende muita coisa da vida e sobre as pessoas. Acho que sua diversão não é muito boa, mas não sei por que ela parece gostar do que faz. Já eram quatro da manhã quando ela bateu na porta. Deixei que entrasse. Ela estava decepcionada novamente. Não falei nada. Ela também não disse nenhuma palavra. Apenas enterrou o rosto no colchão e continuou chorando baixinho pra não atrapalhar meu sono.

segunda-feira, julho 23, 2007

I could be dreaming

Belle & Sebastian
I could be sleeping
I could be dreaming
I could have ordinary people chasing me from town to town
Mission Impossible
They've got a spy for every blink of your eye

I'm feeling hunted
I'm feeling haunted
They've got a knife for every time you take the same train into work
A family's like a loaded gun
You point it in the wrong direction someone's going to get killed

If you had such a dream
Would you get up and do the things you've been dreaming

Is he your husband?
Or just your boyfriend?
Is he the moron who's been beating you and keeping you inside?
I've never done this kind of thing But if I kill him now, who's going to miss him?

I went up to the schoolI took a walk up Castlehill
For every step there is a local boy who wants to be a hero
Do you want to do it now?
Outside the butchers with a knife and a bike chain

quarta-feira, julho 18, 2007

Was that a dream?

Fui a casa dela esta manhã. Estava com uma blusa longa e uma calça toda suja de tinta. Ela a usa para trabalhar. Esperava que fosse abrir a porta sorrindo como sempre, mas dessa vez foi deferente. Estava chorando. Não sabia o que dizer ou o que fazer. Ela tinha uma dor. Pediu pra que eu a tirasse. Parecia o fim de algo que havia começado há tempos. Dezenas de conflitos e memórias. Não sei de onde elas vinham. Ela parece ter uma vida normal: mãe, pai, irmão, cachorro... Havia esquecido que a solidão independe do fato de se estar cercado por pessoas. Ela me prova mais uma vez que não. Faz tanto tempo que eu nem sei mais como é não estar sozinho. Só sei que ela estava chorando. Não conseguia andar direito. Tentei ajudar como pude. Falei algumas coisas engraçadas. Não deu muito certo. Ela não queria esquecer. Fiquei próximo. Fiquei triste também. Senti-me bem ao lado dela. Fez-me lembrar de um sonho. Era o rosto dela que estava lá. Derrepente ela me manda embora. Disse que iria resolver tudo. Tinha que ser naquela hora. Acho que ela desistiu da idéia. Dei tchau. Tudo não passou de um sonho.

sexta-feira, junho 22, 2007

Malevolosidade

Superguidis
Fale tudo que quiser de mim
Faça de conta que eu sou uma imensa pá de lixo verbal
Um objeto onde você possa despejar
Toda a malevolosidade
Não sei se existe essa palavra
Já procurei no dicionário
Pra tu ver que eu

Não sou um cara ruim
Não sou um cara ruim
Eu sei que não sou um cara ruim
Não sou um cara ruim

segunda-feira, junho 11, 2007

Será que podemos?

Hei galera, vamos lá. Esta é a nossa oportunidade. Vamos jogar tudo pra cima, arrumar um modo de mandar todo mundo tomar no cú sem brigar com ninguém. A gente cria polêmica no início e surgirão os anti-nós, mas depois poderemos olhar para o que fizemos e dizer “era isso o que eu estive fazendo na minha juventude”. Cara, temos tudo em nossas mãos, nós podemos. Quem mais fará no nosso lugar? Aproveitem os conselhos de suas mães, mas cheguem pra elas e digam “daqui pra frente eu vou fazer essa parada, sei que a senhora vai arrancar alguns cabelos da cabeça, mas logo a senhora vai começar a me entender”. Daí a gente vai para aquele lugar pra tirar tudo da cabeça e do papel e socializar com um monte de gente. Seremos mais do que parceiros, também seremos amigos, porque, apesar de sermos exatamente iguais, somos completamente diferente dos outros. Até mesmo a sala de aula com toda aquela discussão sobre “história de alguma coisa” ou “teoria não sei de quê” acabam nos deixando mais enrolados do que já estamos. Será que todos nós fomos feitos pra se adaptar a alguma coisa? Aqueles meninos e meninas-robôs da sua sala que parecem estudar todos os dias e não aprendem nada. Não sabem relacionar a discussão com a realidade. Puta que pariu! Onde estão as novas idéias que se renovam dentro de uma nova geração? Há muito tempo pela frente, só que o momento não pode esperar é muita coisa pra ser feita e as mudanças ocorrem em uma velocidade estonteante.

Se esperarmos mais mataremos a nossa juventude de tédio. Eu não quero isso e sei que ninguém aqui quer. Cara, com tanta coisa pra pensar então por que nós não escolhemos pensar em “o que faremos para nos sustentar?” Se você não tiver uma pensão no Inss vai ter que trabalhar, e, se for o caminho convencional, vocês vão pegar os seus diplominhas universitários ou de uma faculdade perereca, seus pais vão se emocionar e tal, mas e depois? Aonde vamos trampar? Vamos procurar uma empresa que nos force a escrever um texto com Ctrl+C e depois Ctrl+V? Pra tirar fotos para um jornal chato e de direita? Ficaremos olhando um monte de gente ganhando rios de dinheiro com cultura-lixo?É mais fácil assim, né? Digo... Entrar em uma relação onde já existe uma sala pronta, um Club legal, a sujeira do lugar é bem camuflada, o plano de cargos está inteiramente atrelado à política. Ainda por cima existem todos aqueles conselhos de suas mães no sentido de “não importa o trabalho, se te pagarem bem você logo vai gostar dele, então relaxe e goze”. O problema é que rapidamente se torna excessivamente chato. Vocês logo serão humilhados porque seus chefes não aceitarão o fato de vocês serem mais inteligentes que eles e vocês ficarão putos por terem chefes tão burros. Terão que aceitar o fato de serem inferiores, pois, afinal, eles estarão te pagando. Nem seus professores universitários admitem perder uma discussão pra vocês. Daí os seus sacrifícios se tornarão em decepção, porque perceberão que fizeram papel de otários e, por problemas de egos, não foram valorizados. Um dolorido pé-na-bunda é o que restará. O caminho da acomodação é o que todas as cabeças, duras ou não, procuram, mas o problema é que este também é o caminho de aceitar todas as cagadas escrotas que existem hoje no mundo como o papo de “monopólio de conhecimento”, “identidade cultural”, “liberdade de expressão” e um monte de iniciativas importantes que poderiam proporcionar demandas de emprego para muitos coleguinhas de nossa cidade e de todo o país que se formam e não encontram vaga na sua área de conhecimento. Vocês morreriam duas vezes antes de ficarem se vendendo até o final da vida, além disso, vocês olhariam para trás e diriam “puta-que-pariu, tarde demais, aquela história já foi escrita”.

É sim, a gente faz uma coleta na hora do almoço, daí escolhe duas pessoas pra cuidar da louça e mais duas pra cuidar da “casa”. E quando alguém estiver com preguiça pague outro alguém com aquele crédito pra realizar suas tarefas. A gente não vai morrer se lavar algumas roupas ou até mesmo se não tiver grana pra comprar um sapato a cada mês. É verdade que poderemos chorar algumas vezes. Foda-se. Nós não iremos nos arrepender da maior parte. Estaremos ali fazendo algo que ninguém teve o queixo de fazer, trabalhando mentes e corações para a mudança de conceitos. Seremos os nossos chefes. Eu sei que é muito escroto quando a gente discorda de algo, ainda existem muitos pontos que ainda estão se acertando e outros que parecem nunca ter mudado, mas quando a gente resolve fazer alguma coisa juntos geramos uma força tão grande que fico empolgado só de pensar nela. O restante continuará em suas casas esperando que alguém faça alguma coisa, pensando no horário onde poderão sair e encontrar um lugar pra se livrarem de seus impulsos químicos, se curarem de seus excessos de melancolia, falta de criatividade e atitude. Nós teremos muitas coisas pra fazer todos os dias e seremos pagos pra viajar por eles. Enquanto todos estiverem pirando, nós, além disso, estaremos nos alimentando de tudo.

segunda-feira, maio 28, 2007

Yes, I know

Sei de muita coisa que se passa pela madrugada, quando ninguém está olhando. Você acordando suada sem lembrar muito bem o que pesou em sua cabeça. Você só lembra que estava caindo em um buraco e não conseguia encontrar as bordas pra aranhar, até arriscaria suas mão em troca de sua própria vida, mas o lugar era ausência de tudo, inclusive de matéria. Então você acorda suspirando, estica seus braços e segura as bordas de sua cama. Eu sei porque isso acontece. Eu vejo em seus olhos. Eu sei qual é este abismo, é parecido com o que está entre a gente. Algumas palavras ainda estão soando dentro da sua cabeça e o seu orgulho não lhe permite dar atenção a elas. Você prefere afirmar que foi tudo obra do acaso e que aquelas palavras eram apenas de uma visão distorcida das coisas. Você sabe em que contexto elas foram ditas, mas de alguma forma você procura acreditar que não. Talvez você carregue isso pro resto da vida. O mais provável é que isso aconteça. Teve uma vez que você me perguntou se você estava pensando errado, daí eu respondi que a única pessoa que poderia responder isso era você mesma. Eu sabia a resposta, mas não podia te tirar o direito de encontrá-la sozinha. Eu estava disposto a ir contigo até o fim.

Você se acalma. Ainda dentro de seu quarto você escuta barulhos do outro lado da parede que te assustam. O suor que estava por todo o seu corpo, principalmente no pescoço e entre os seios, está esfriando agora. Pelos passos lá fora você reconhece que é uma pessoa querida que levantou pra beber água e veio ver como você estava. Então você sorri e percebe que seus lábios estão mais ressecados que o normal, você passa a sua língua neles para que retornem ao aspecto de doce caramelado. Então você bebe um copo d’água e volta a relaxar. Ainda está meio amedrontada com a escuridão. Reconhece que não está sozinha e ainda existem pessoas que podem te proteger e que estarão contigo mesmo em um buraco muito escuro. Possuem uma ligação muito forte com você. Algumas sabem o caminho e outras não, pois são mais indefesas que você. Mas você nunca precisou tanto delas assim, mas agora você está amedrontada. Já aliviou um pouco, mas ainda é desagradável lembrar dos flashs onde havia coisas te empurrando para aquele buraco. Elas sabiam o seu nome. Passaram um longo período te observando. Estavam esperando a hora certa pra te empurrar.

Eu sei disso. Eu vejo tudo isso. Você errou quando falou que eu estava ficando louco. Não é fácil ver estas coisas e ficar apenas observando. Estaria mais presente se as coisas fossem diferentes, mas acho que insisti mais do que deveria e agora estou cansado. Como você acha que me sinto? Não pense que é fácil ter isso interrompendo o meu sono. Eu não pedi pra que as coisas ficassem como estão. Sei que o que você queria era ficar dançando por aí. Já ouvi algumas pessoas falando que alguns tipos de sentimentos podem se tornar uma prisão pior do que as que possuem grades. Quem criou esta ligação que tenho contigo esqueceu de cortá-la. Eu não sei o que você está pensando agora, só espero que saiba o quanto ainda sinto. Algumas coisas significam tanto que não podemos esconder. Eu quero dar uma volta por aí e escutar músicas legais, ver pessoas inquietas produzindo. Quero sentir a vida delas pulsando. Depois quero voltar pra casa e saber que está tudo bem contigo. Eu quero dormir sabendo que existe um motivo melhor do que os que você me deu para ter escolhido este caminho.

quarta-feira, maio 16, 2007

Mais um vexame praminha coleção

Ludovic
Outra das minhas recaídas
Exemplifica idiotia
Exemplifica com tanta perfeição
Os pés pelas mãos

E então eu insisto no bordão
Obrigado pela atenção
Meu segredo, minha única diversão
Me perdoe sem que eu tenha que pedir perdão.

sábado, maio 05, 2007

Sorte

Dessa vez a sorte mostrou que têm sorte, e acho que daqui pra frente ela só vai continuar fazendo jus ao nome. Ela chegou muito pequena, de aparência assustada e tinha acabado de sair da dependência de quem antes cuidava dela. Daí eu cuidei bem da sorte, alimentei a sorte e ela foi ficando cada vez mais bonita. É que a sorte melhora quando cuidamos dela. Em pouco tempo ela começou a brincar comigo e a tomar conta de todo o ambiente, cresceu e está tomando um jeito mais maduro. A sorte não trata mal as pessoas que querem fazer o bem. Ela apenas interage e diverte, afinal de contas todos gostam de brincar um pouco com a sorte. Teve um dia que ela me deu um susto. Ela sumiu, cheguei em casa e ela não estava. Como eu pude perder a sorte? Quem seria capaz de tirar a sorte de mim? Acho que ela estava meio cansada e resolveu ir embora, talvez por achar que eu não servia ou talvez ela tenha achado melhor dar ouvidos a outras coisas. Ela acabou preferindo o caminho mais fácil... O convencional. Fui até a rua à sua procura e encontrei outra parecida... Mas não era ela. Não era a minha sorte. Ela não veio até mim quando a chamei. Eu estava enganado. Não adianta falar algo para a sorte se ela não quer ouvir.

No outro dia pensei que havia acontecido um acidente com ela. Tudo não passou de alarme falso, pois no inicio da noite ela apareceu do nada. Eu havia deixado a porta aberta, caso ela ainda estivesse viva e quisesse voltar. Eu nunca fecharia a porta pra ela. Agora fico mais preocupado com medo dela ir embora ou de alguém fazer mal, mas acho que agora ela aprendeu a lição. Ela vai tomar mais cuidado na próxima vez que resolver não dar ouvidos a quem gosta dela de verdade, se bem que eu acho que agora ela só possui oito vidas.

terça-feira, abril 24, 2007

Saudações José

Sei que deve estar estranhando o fato de eu conversar contigo. Eu sei que nunca fomos tão próximos, apesar de eu te conhecer e sempre te encontrar em várias situações. É verdade que talvez tenhamos algumas coisas em comum. Na verdade acho que todo mundo tem alguma coisa em comum com todos. A questão de compatibilidade ou não pode ser medida mais ou menos dependendo da nossa disponibilidade de enxergar tais proximidades, é por aí. O fato é que nunca me esforcei pra ficar muito próximo de ti por motivos que não sei explicar e nem me interessam muito pensar neles. Acho que fostes muito acostumado em esperar que as pessoas se aproximassem de ti, assim como eu.
Meu caro José, há pouco fiquei sabendo da angústia que estás passando. É uma pena saber que as coisas mudaram, que agora o seu dinheiro pouco vale e que a vida agora ficou monótona demais. Quem diria, hein José? Engraçado ver os seus amigos rindo e se divertindo como antes, não de você, mas da mesma vida de antes. Não por culpa deles, é que não adianta ficar chorando. A diferença é que o seu sorriso não está mais entre o deles. Eles não podem fazer muitas coisas pra mudar a sua situação e talvez nem se importem ou não sintam o que estás sentindo, mas eu me importo. Isso se chama empatia. Deve ser muito doloroso saber que depois de tudo o que aconteceu você levou a culpa. Não sei responder se és culpado ou não. Que no meio onde tudo parecia diversão as coisas agora parecem tão tristes. Será que você está com medo José? Passou pela sua cabeça que as coisas seriam tão duras? Acho que tu dormistes naquele estado de sempre esperando acordar na hora do almoço como de costume, mas parece que aquela sua manhã foi um pouco diferente, não? Eu sabia que as coisas estavam indo longe demais, por isso eu sentia aquela áurea negativa e pesada em você. Foi muito duro pra mim ser julgado e mal interpretado. Na verdade eu me senti traído. Aquelas coisas que falei de ti não foram por maldade, agora você pode visualizar que eu tinha motivos para te-lo feito, não? Não cabe a mim jogar nada na cara de ninguém, mas as pessoas, por si só, reconhecerão, mas se isso não acontecer será novamente problema delas. Não preciso de pessoas falsas batendo nas minhas costas depois que a casa cai.
E agora José? Onde está o seu cavalo verde? Será que você está dormindo direito? Sente falta da bebida? Não cabe a mim te julgar por nada, só sinto muito que a brincadeira tenha se tornado algo tão... embaçado. Eu só espero que você não morra de tédio e que tudo fique diferente quando voltares a ver a luz do sol.

domingo, abril 22, 2007

Antigo e batido, mas vale a pena lembrar

Meninos e meninas
Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui

(...)

Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer
Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?
Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?
Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes
Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar

(...)

terça-feira, abril 10, 2007

Novo prazer

Mombojó

Eu não vou mais dormir,
Eu não vou mais dormir.
À noite passada, inventei novo prazer
E quando estava a experimentar

Foi a primeira vez,
Primeira vez,
Que eu pude tolerar.
Foi a primeira vez,
Primeira vez,
Que eu pude tolerar.
Já que eu não engulo pílulas,
Vou tomar vitamina c.
Já que eu não engulo pílulas,
Vou tomar vitamina c.

Shalalalala

sábado, março 24, 2007

I would say I'm Sorry

É, depois de um dia único como todos os dias chegou a hora em que a cabeça se volta para procurar a próxima coisa a fazer. Através da porta do espírito ela contempla uma rua molhada pelas volumosas águas de março e um mormaço tropical que não permite que o frio tome conta da cidade. Agora eu não sei muito bem aonde ir. Será que eu vou pra casa? Talvez eu ligue a Tv e consiga me distrair com alguma coisa legal na programação, já deu certo algumas vezes. Pode ser melhor ficar escutando música, talvez se eu ficasse repetindo aquelas faixas que só falam “que tudo vai dar certo e ficar bem” o turbilhão escoe em forma de lágrimas e desabafos. Mas será que ficar tanto tempo em casa vai ser bom? Não seria me isolar demais? É nestas horas que não dá pra ter certeza sobre a coisa certa a fazer. Por mim eu procuraria agora uma pessoa pra jogar conversa fora, mas não me vem a cabeça uma figura legal que esteja disponível pra isso. É duro admitir que não se deve atirar pérolas aos porcos, pois eles se revoltarão e se virarão contra você. Talvez a culpa seja minha. Eu já tentei fazer isso e não consegui. Deus, livre-me da arrogância! Às vezes me culpo por não sentir culpa. Será que o meu cérebro não produz a substancia responsável por nos fazer sentir culpa? Se for assim, acho que realmente me falta uma função cerebral, mas dizem que quando uma pessoa se pergunta se esta ficando louca é porque ela não está louca, pois um louco nem desconfia verdadeiramente que é louco. Já falei sobre isso em um post meio antigo (Por falar em post antigo lembro que já completei três anos nessa baboseira de contar histórias, será que alguém se importou em ler alguma dessas? Hoje têm até escolinha promissora com direito a café com torradinhas, mas isso é uma outra história rs :*). O fato é que agora não consigo encontrar em minha consciência algo real que me faça dizer “eu fiz errado”. Até porque tudo não parece passar de boatos, os que parecem reais são baseados em propagações irreais, algo parecido com fofoca. Ainda bem que os verdadeiros amigos não se deixam levar pelas mesmas rs. Não acredito que deixei essa mania de perseguição voltar. Mas não há espaço pra se reportar a estas lembranças. Eu só quero alguma coisa boa pra preencher a minha cabeça. Hoje é sábado, mas não vai ter viagem astral porque só quem tem esposa ou mora com uma mulher pode ir. Agora tenho que ficar por aqui neste pequeno espaço limitado. Sei que é manjado dizer, mas aquele papo de encontrar um lugar legal pra ir caberia bem agora, só que é complicado neste plano e espaço geográfico. Acho que vou me distrair com estes jogos onde você precisa apertar vários botões e realizar movimentos complexos, assim o tempo passa mais rápido até o sono chegar. Isso está acontecendo por causa de um pagamento que não sei quanto vai me custar, só sei que estou pagando por acreditar que a recompensa vale a pena, senão não estaria aqui. Sempre procurei estar em um lugar onde fosse possível extrair o maximo. Um lugar onde nada se repita e tudo seja novidade, não importe quantas vezes vá. Às vezes acho que deveria parar pra escutar as coisas que julgo superficial, como modo de vestir e normas de etiqueta. Assim todos me achariam prestativo e humilde. Que pena que eu descobri que é praticamente errado tentar ser sempre agradável. Espero que essa rebeldia tenha se esgotado. Descobri que existem dois tipos de caras nervosos, um deles é o que fica gritando todos os dias com todos e o outro é aquele que nunca se irrita. O problema é que o que se estressa todos os dias esbanja só naquele nível e não se reprime, enquanto o cara que nunca se irrita um dia explode e acaba sacando uma arma e atirando em todo o mundo. Não quero ser nenhum dos dois por isso acho que devo encontrar um equilíbrio e o equilíbrio está no meio. O cansaço é evidente e a decepção com algumas pessoas também. Não existe ódio dentro de mim, só melancolia e uma certa ansiedade. Talvez devesse ser menos ansioso com o que vai me acontecer, o problema é que o "agora" esta ficando muito parecido com outros “agoras”. Dizem que o meu problema é que estou vendo algo a mais e acho que ela tem razão. Acredito plenamente que se todos tivessem a oportunidade de ver o que eu vi pensariam o mesmo. Por isso, ao andar pela rua com a minha velha mochila procurando não olhar para o chão o tempo todo me vejo entre pessoas que jogam o lixo na frente de suas casas, carros que passam jogando lama e jovens da minha idade jogando futebol e armando uma pequena confusão, que por uns cinco minutos atraem a minha atenção. Como eu sinto por não conseguir me divertir correndo em um campo de areia encharcada pela chuva atrás de uma bola. Seria tão mais simples e fácil. Alguns deles nunca ficaram bêbados ou colocaram um cigarro na boca. São os orgulhos de seus pais. Os cidadãos promissores de nossa sociedade. Os que obedecem a todas as regras e cumprem todos os horários, por isso herdarão o sistema. Pura monotonia. Será que desta forma conseguiria pensar melhor no que eu quero pra mim? Apesar de tudo me sinto orgulhoso por me sentir corajoso, acho que não poderia mais continuar como estava. Sinto agora que há sangue correndo pelas minhas veias e ele não é frio e sim bastante quente. É ridículo ser amiguinho de toddos. Aquela figura mórbida está saindo de cena. Sejam bem vindos ao mundo real, sem estímulos cerebrais extraídos de porcarias que nos deixa bobões ao invés de espertos e criativos. Aquela situação estava me deixando cada vez mais doente, só um tolo não perceberia isso. Por isso me dirijo até a casa de uma das poucas pessoas que me restaram nesse bolo todo. Ela me ajudou com bons conselhos e me apoio, mesmo parecendo complicado. Estaria mais inconstante agora se não fosse por ela. Sinto-me agradecido por existirem pessoas assim no meu caminho, por isso lhe dei um cordão de lembrança. Mesmo sabendo que de um cordão e uma medalha são responsáveis por boa parte de tudo isso. Ainda bem que sei que se olharmos ao nosso redor perceberemos que nunca estamos sozinhos, por mais que tentemos pensar no contrário. Só tenho a agradecer por esta compreensão e pelo tesouro contido no baú das respostas verdadeiras. Sinto muito por tudo, mas este é o caminho que escolhi.

sexta-feira, março 16, 2007

Biba Graeff

Semana passada eu encontrei com uma amiga antiga, Biba Graeff. Ela hoje mora na Inglaterra e é uma pessoa com a qual me dava muito bem. Passeávamos algumas vezes e até dizíamos que nos amávamos. Os tempos mudaram, neste encontro deu pra perceber o quanto. Olhando para ela lembrava alguns motivos que a levaram a ir para a Inglaterra e ficar distante de mim. Algumas situações estranhas e que talvez nunca se encontre respostas. Ela também parece meio estranha, afinal de contas as situações que passamos juntos e que a levaram a ir para a Inglaterra não foram muito boas, admito.

De fato ela está mais madura, existem tantas coisas que eu queria falar pra ela, mas eu não posso ou ao menos acho que não. Na verdade eu poderia dar uma explicação mais consistente sobre tudo o que aconteceu, mas o resultado não seria muito bom, pelo menos na época em que aconteceu, tendo em vista o envolvimento e a preocupação em não prejudicar outras pessoas e ela mesma. Fico imaginado que agora que a poeira está mais branda eu poderia dizer pra ela a verdade por mais que todo o tempo que passou não tenha mais volta. O que algumas opiniões e situações levaram um bonito sentimento a se transformar em um amontoado de notícias não muito boas desagradáveis?

Fico pensando nas coisas que deveria dizer. Ela é tão bonita. Lembro que em um de seus dias quando ela não estava pisando no chão ela falou que gostava de mim mais do que todos os outros meninos. Só eu sei o quanto estou pagando por abrir mão de mim mesmo em nome de algumas pessoas. Será que está valendo a pena? O que tenho aprendido é que as vezes você pensa que está fazendo o bem, mas não está e que só quem recebe o bem é beneficiado, daí a frase fazer o bem sem olhar a quem. Talvez a verdade seja a saída tendo em vista que agora tudo mudou, parece não haver mais confiança um no outro. Apenas uma conversa íntima com uma série de restrições, confesso que fico com medo de entrar em certos assuntos. Na verdade não sei bem o que dizer. Será que devo confiar? Ela sabe que não precisa ter medo de mim. Ela é tão bonita, tinha até esquecido o quanto Biba é bonita, inteligente e divertida. Ela me faz muito bem, só que agora fico com receio de rir com ela. Isso realmente é muito triste. Receio de ir longe demais novamente, me machucar e machucar a ela, por isso é complicado pensar em tudo o que aconteceu. Sei que ela poderia me ajudar mais do que de fato está. Assim eu tiraria este peso das costas e voltaríamos com um contato muito mais fortalecido e pé no chão. O problema é que não sei se devo pedir isso a ela e ela talvez não ache que poderá vir da Inglaterra pra passar uns tempos perto de mim novamente.

Não sei se ela ainda tem guardado as coisas que escrevi pra ela em manuscritos, papel impresso e e-mail, mas sei perfeitamente que ela se lembra de tudo isso. De fato ela não é mais uma criança. Acho que não combina mais ser o protetor dela, já que ela parece cuidar muito melhor de si do que eu de mim. Sem dúvida a Biba se tornou uma mulher muito interessante. Constatando isso penso no quanto a minha forma de tratar as pessoas e principalmente as mulheres estava equivocada. Ainda bem que hoje eu tenho a oportunidade de levantar a cabeça e dar a volta por cima de uma forma que só eu poderia fazer por mim mesmo e espero que na próxima vez que ela vier da Inglaterra possamos começar algo novo, desde o início, como quem acaba de se conhecer, assim como as folhas de uma árvore se renovam à cada estação. Eu poderia deixá-la quieta na Inglaterra conhecendo todos os seu amigos ingleses. Seria fácil se ela não fosse Biba Graeff, uma pessoa pela qual ainda tenho um profundo sentimento.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Foreign Complaint

Vanguart
I got something to write before this letter slips in
I got no one by my side and finally now, i feel fine
As the leaves are falling, as the sun is going down.
My eyes are in the wind, but every summer they melt down

Here no one knows my name, they never see me around
I pretend i'm from spain and i don't even go out
I never thought it would be so hard to live in other town
And i always remind of you when sleep gets me down

Every dusk i watch, well, it always leaves me sad
Cause that time i got you, the dawn was the time to bed
And i never saw the dawn anymore, now i have to crawl
To get up from the bed, and then get off of the ground

I'm not looking for and i couldn't even get a job
Lately i'm too weak and i still got the bucks you gave me
People scream that i'm a slob, but i pretend it's not with me
I just keep my face straight, with my eyes staring at my feet

Sometimes i miss my rock'n'roll records and my friends
But as long as i'll die, they'll take me out of their heads
I'm not saying i was unwanted, it's just something usual
Maybe i never really liked'em but i miss them all

Last week i went to a bar, and there was no one at it.
And i've been thinking how sometimes love's hard to fit
I remembered when i's a child and how beautiful were my hair
And when i discovered that love's something hard to bear

But when the bar closed down, i started my thinkin' again
And going back home i cried a little bit but then
I cleaned my face with memories from my mom and my dad
And for a quick moment i forgot that they are dead

I heard someone saying love's bitter, well, i didn't disagree
But later when i was sleeping i've been waken by a dream
I don't remember well, but i only know it was about you
Then i passed all the day upset till i accept that i love you

But you know life goes on, as it goes on your life
And i'd be lying if i said that someday i'll be back
Cause these words haunt myself, i prefer to ignore the pain
Cause i'll always love you, but i don't want to see you again.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Ôpa, é hora de desencanar rsrs
Têm coisas que acontecem para o seu bem. Não que exista um mal necessário, mas é certo que quando dá dá e quando não dá não dá rsrs

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Take It Or Leave It

The Strokes


Leave me alone
i'm in control
i'm in control
and girls lie too much
and boys act too tough
enough is enough
well, on the minds of other men
i know she was
i said just take it or leave it
and take it or leave it
and take it or leave it
and take it or leave it
oh, just take it or leave it
and take it or leave it
oh, take it
i say
oh, he's gonna let you down
he's gonna let you down
he's gonna let you down
and gonna break your back for a chance
and gonna steal your friends if he can
he's gonna win someday

i fell off the track
now i can't go back
i'm not like that
boys lie too much
girls act too tough
enough is enough
well, on the minds of other girls
i know he was
i said you take it or leave it
and take it or leave it
and take it or leave it
and take it or leave it
oh, just take it or leave it
and take it or leave it
oh, take it

that's right

oh, he's gonna let you down
he's gonna let you down
he's gonna let you down
and gonna break your back for a chance
and gonna steal your friends if he can
he's gonna win someday
oh, he will

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Não se reprima

“Ninguém pode sentir exatamente o que o outro sente”, você disse. É verdade, às vezes fazemos coisas que ninguém mais pode fazer por nós. Aquele papo de esperar a hora certa de agir às vezes dá errado e a oportunidade escapa pelos nossos dedos, na nossa frente, sem que se possa fazer mais nada a não ser lamentar.

Sabe, novo amigo, você não é o único. Identifiquei-me bastante com a sua opinião. Não posso ficar no seu lugar, mas quero que saiba que já passei por isso. Às vezes somos taxados, mas dentro de nós mesmos podemos visualizar melhor o que significa tomar uma atitude como essa. De guardar os seus valores para guardar a si mesmo. Isso é uma das coisas mais preciosas do mundo, acredite. Não se trata de ingenuidade ou fraqueza, ao contrario, é preciso ser bastante homem pra tomar uma atitude como essa.

Não deixe que os outros tirem isso de você. Talvez se arrepender e ficar se martelando só vai te provocar mais insegurança e não é isso o que queremos. Procure guardar essa facilidade de conquistar as pessoas e se envolver com elas. Continue permitindo que a parte boa do mundo delas entre no seu. Sei que há casos em que uma atitude drástica é necessária, afinal de contas somos jovens e um pouco de ação nunca fez mal a ninguém. Às vezes o certo é passar o rolo compressor mesmo. Deixar com que a libido aflore as vezes é o que se pretende das duas partes e sentir o gostinho da carne macia, a transpiração a mil, o suor misturado com cheiro de perfumes agradáveis e a textura da carne nova na sua boca e encostando em várias parte sensíveis de seu corpo é muito bom. Mas às vezes não dá pra continuar assim. Você sente falta, é como a ausência de um braço ou de uma perna. Realmente não dá pra viver com próteses. Você precisa de algo mais concreto e por isso sente necessidade de algo mais consistente. Que faça você se sentir seguro e mais feliz.

É, novo amigo, acredito que você agiu certo. Sei que aquela pulguinha vai ficar te falando “você deveria ter pegado” ou “a outra opção era melhor”, mas você nunca vai ter como saber ao certo como seria se fosse de outro jeito. O importante é não ficar se martelando. Vai ver este realmente era um teste. Você mesmo falou que já rolou um deste há um ano e o negócio deu errado. Este é um bom motivo pra você acreditar na existência destas forças invisíveis. Talvez você não acredite nelas o suficiente, mas o simples fato de saber da existência delas ajuda bastante, pois quando tudo fica parecendo que deu errado você reflete e pensa “a escolha foi só minha, eu fiz o que achava que era certo”.

Acredito que só há um destino para pessoas iguais a você: se dar bem. Vou continuar te apoiando no que você fez e se o motivo desta sua atitude não te corresponder não entre em desespero, pois tudo acaba bem no final, e se não acabar bem é porque não era o final.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

I´d really like to help you man


Olá amiguinho, há quanto tempo, não? O que voce esteve fazendo? A mesma coisa que eu? Então acho que você está indo muito bem amigunho, sério mesmo. Estive tentando dar uma arrumada na casa, tipo, ser mais cuidadoso e responsável. Ah amiguinho, como isso é difícil. Acordar no horário certo e ir cumprir as suas responsabilidades. Os anos estão passando e você precisa correr atrás do tempo perdido. Você sabe que em algum momento você pode vacilar, mas ainda sim consegue seguir. Ainda não consegue terminar suas tarefas básicas. Ainda perde muito tempo na rua. Leva pau da prova porque não estudou ou ficou reprovado em faltas.

Espero que você esteja conseguindo amiguinho, eu realmente quero que isso aconteça. Sei que nem sempre as coisas dão certo. Às vezes você faz uma daquelas besteiras bem fudidas, do tipo pra deixar tudo de pernas pro ar. As férias que você deu a si mesmo de sair e curtir a noite pareceram voltar de uma só vez. Um dia em que você tira férias das férias... Quer de algum jeito arrumar uma fuga da realidade para que alguma coisa entre em seu equilíbrio. Daí, quando tudo isso acaba parece que a dor de cabeça aumentou e que a responsabilidade fugiu ao seu controle, assim como tudo a sua volta: seus sentimentos, respeito, autocontrole... Tudo isso parece ter entrado em um ciclo cuja direção de sua rotação é exatamente o contrário do que se acredita, para a esquerda. Diferente de tudo contra o que você está lutando. Daí você percebe o quanto é válido a frase “quanto maior a altura maior o tombo”.

É isso o que acontece. Alcançar o equilíbrio não é tarefa fácil, mas você sabe que pode conseguir, até porque nunca te disseram que seria fácil. Como já foi dito: o querer é uma autorização para que a mudança ocorra, e a força da nossa vontade pode superar todas as situações escrotas. Continue tentando amiguinho, não se perca entre as sombras do mundo. Levanta a tua cabeça mais uma vez. Você ainda tem muita coisa boa pela frente, você é jovem e a vida é longa. Aproveite este período em que todos estão pensando em “o que fazer” ou “como se deve perdoar” para ser uma pessoa melhor. Espero que a tendência daqui em diante seja o de melhorar. Você vai conseguir amiguinho... Continue lutando. Se depois de tentar várias vezes você sentir que as suas forçar acabaram e você não vai agüentar mais... Tente de novo! Saiba que o que você sente eu já senti também.

sábado, novembro 25, 2006

Coletivo Palafita

Arte: Heluana Quintas



Escrita pelo Coletivo


Com o objetivo de promover a articulação entre os produtores de cultura local, entre si e com outros de outros Estados, o Coletivo Palafita dá início ao seu primeiro ciclo de ações na esfera independente.
No Amapá, como no Brasil, há um número considerável de produções Independentes, sejam elas musicais, literárias, teatrais, enfim, artísticas, que se mantém graças a sua responsabilidade com a criatividade nacional. São bandas, publicações marginais, intervenções na rua, que poderiam estar interagindo com outros grupos da mesma região ou de regiões diferentes, trocando experiências, ousando ainda mais num circuito onde isso não só é permitido como também estimulado.

O Coletivo Palafita quer reunir grupos de trabalho que, entendendo a proposta deste projeto, mobilize ações cooperativas na produção do audiovisual, musical, literária e todas que, de alguma forma, giram no entorno deste meio.

Temos uma pá de bandas com músicas próprias, que deram o batalho sozinhas pra gravar o trampo. Temos grupos de teatro que se consolidaram pela inovação ao trabalhar de maneira autônoma e com materiais de baixo custo. Atuamos com Coletivos de artes visuais e intervenções que já contrariaram e muito a cena local com tanto atrevimento. Temos zines e temos livros cuja distribuição se faz de fotocópias. Temos blog’s, orkut, e-mail e vontade.
Também contamos com espaço próprio onde poderemos aglutinar este material que hoje se encontra solto em nosso estado, assim como incentivar novos grupos com nossas ilhas de edição de imagens e estúdio.


Contatos:

segunda-feira, novembro 06, 2006

12º Goiânia Noise


Festival Varadouro no TramaVirtual de domingo

por Ney Hugo
Imprensa EC




Ok, sei que já disse muito isso por aqui, mas não tem jeito: o Festival Varadouro, realizado no Acre, beirou a excelência nos quesitos organização, público, qualidade das bandas, premissas básicas do fora do eixo, convite à imprensa alternativa... um dos veículos desse tipo, o programa TramaVirtual foi um dos convidados para realizar a cobertura do festival. Massa é que o programa do Trama é exibido no canal (infelizmente) pago Multishow e tem um quadro chamado "Visitando a Cena", o qual mostra em rede nacional festivais realizados Brasil afora. Entre os já exibidos, figuram o Calango(MT), Se Rasgum(GO), Coquetel Molotov(PE), entre outros. Além disso tudo aí, o programa traz também uma matéria sobre "futebol de mesa" com os cuiabanos do (advinha quem?!) Vanguart (óbvio!). Mas essa já rola ver antes de domingo, através do You Tube. Clica aqui, ó!

terça-feira, outubro 31, 2006

Prévias do Caldeirão Universitário

Começa neste sábado dia 04/11/2006, no Liverpool Rock Bar, as prévias do Caldeirão Universitário. Evento que contará com três bandas independentes todo o final de semana. A idéia é fazer um levantamento de bandas para a apresentação no dia 25/10/2006 no Campus da UNIFAP.
Ele também servira como balanço de produção para o I Festival Amapaense de Musica Independente, para tanto solicitamos aos interessados que entrem em contato para conhecer o projeto.


Contatos:

Liverpool Rock Bar:
9905-6449; 3223-5053.

Paulo Zab:
9124-3937,
paulozab@gmail.com
.

Jemile:
9974-8949

segunda-feira, outubro 30, 2006

TRILÖBIT - Tributo kraftwerk

Por: Marcelo Demosul

Por aqui o Kraftwerk é rock! A prova disso é o tributo ao Kraftwerk, idealizado pela revista eletrônica http://www.urbanaque.com.br/,

Somos Robôs.

São 14 bandas das mais diferentes vertentes do rock e da música eletrônica, de diferentes estados brasileiros, que estão prestando suas homenagens em versões inéditas, e declaram, para surpresa de muitos, a importância e influência do Kraftwerk em suas músicas. Versões surpreendentes que vão da surf music, passam pelo funk carioca, electro rock, e até a flertar com trilha sonora para filmes de Bollywood.

Um pequeno retrato da criatividade dos novos artistas brasileiros e que só reforça a tese de que o Brasil passa por uma das melhores fases musicais dos últimos anos. Produção de norte a sul do país e com um pequeno detalhe, mantendo características regionais e sem perder qualidade.

BANDAS:

I.O.N. (The Robots), Lucy and the Popsonics (Showroom Dunnes), TRLÖBIT (Athërwellen Airwaves), Goldenshower (Mehn Maashyn Aka), Ambervisions (Pocket Calculator), Daniel Belleza & Os corações em Fúria com Rock Rocket (Trans-Pompeia Express) e muito mais.

Para democratizar a música e alcançar o maior número possível de ouvintes, as 14 faixas que compõem o Somos Robôs, não serão comercializadas e sim disponibilizadas para download gratuito no www.urbanaque.com.br.

--
http://sassacartoon.blogspot.com
http://muambazine.blogspot.com
http://trilobita.multiply.com
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=26552
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1553891
http://www.youtube.com/view_play_list?p=AA5AB383C6D571F1

sexta-feira, outubro 20, 2006

O Acre existe!


Saí do Amapá às 15h00min do dia 19, fiz uma escala em Brasília, o vôo atrasou um pouco e saí de lá por volta de 22h30min. Falaram-me que seriam mais três horas de vôo até Rio Branco, mas quando eu cheguei aqui ainda era 00h30min. Esse lance de fuso horário é complicado e ao mesmo tempo muito legal. Acordei achando que estava atrasado pro café, mas depois de levantar percebi que tenho duas horas de crédito rsrs.

O Festival Varadouro vai arrebentar. Está reunindo não apenas bandas legais como Macacas Bong, MQN e Coletivo Rádio Cipó. Ele tem o mérito de aglutinar representantes de todo o norte do país. Um dos pontos fortes será a mesa de discussão Independência ou Norte, que visa o engrandecimento da cena na região. Por enquanto só tomei café e conversei com a galera de outros Estados da Região, como o Fernando Rosa do Senhor F e Pablo Capilé do Espaço Cubo.

Ainda estou aguardando o que virá hoje a noite: Gogó de Sola (AC), Mamelucos (AC), Ultimato (RO), Nicles (AC), Coletivo Rádio Cipó (PA), Macaco Bong (MT), Camundogs (AC) e Moptop (RJ).
Até logo.

quarta-feira, outubro 18, 2006

See you In the only side of the moon.

Vamos menina, me deixa ver como ficaram seus olhos. Percebo que agora eles já sabem abrir portas. Dá pra ver que a fase de fazer perguntas bobas já era. Agora você está mais interessada em entrar na mente das pessoas. Nas perguntas ocultas... Nos mistérios.

Você está se equilibrando. Interessa-se cada vez menos por cores e contornos artificiais. Aprendeu a avaliar o clima à sua volta. A compreender os jogos restritos de olhares com sussurros mentais e da busca de cada um. Isso é bom. Isso é muito bom.

Aconteceu porque você se deu conta do poder que têm. Sabe agora que a vida é feita de impactos e contatos de energias. Algumas emanam força branca e outras... Não branca. Depende do momento. Depende da pessoa.

Sai na rua e sabe que o mundo não gira à sua volta, mas existem passagens. Os que se sintonizam sacam, mas os descuidados não acompanham. Coisa que você apenas desconfiava depois tirava da cabeça por achar que era apenas a sua imaginação.

Muito bem baby. Antes era só um rostinho bonito, agora é uma presença com suas próprias influências e subordinados parciais. Com suas cartadas e encantadas cultivadas em você. Já sabe dar seus lances com voz ativa e sutil. Isso é bom. Isso é muito bom.
Sim, você venceu. Conquistou o nosso respeito. Não que não fizéssemos isso antes, mas agora sabe como é. Claro que sabe. Se não soubesse não estaria neste estágio. Está se soltando e aprendendo a voar sozinha. Passou a nos ensinar alguns truques. Isso é essencialmente fundamental. Quem te ajudou a chegar aí?

Nada veio de graça. Suas habilidades e força fizeram você chegar onde está. Devo te aplaudir e dizer que o mérito é todo seu. Você merece. Curta os prêmios da autoconsciência. Do exercício da memória. Nem vou perguntar se está gostando. Sei que é amargo no início, mas depois fica ótimo. Ninguém nesse mundo pode te guiar pra lugar algum. Podem te mostrar o caminho, mas quem andará será você. A não ser que te teleguiem. Acontece com os recém iniciados.

Estas coisas ficam além de nossas máscaras e ilusões. Encontram-se encravadas em nosso ser. O tempo que você passou refletindo enteógenamente te levou para esse plano. Os pontos de mutação que você tem são múltiplos e constantes. Você sabe que isso é bom. Que é extrema parte de tudo isso. Uma peça fundamental do todo. Do objetivo maior da essência.

Por trás disso estão todos os segredos da vida. Acredite que pode romper as barreiras ilusórias e encontrar a trilha para a verdadeira viagem. Pode destruir muitas coisas negativamente densas estando em conjunto e se construindo sozinha ou ao contrário disso. Você começou a ver o que tem do outro lado e espero te encontrar outras vezes para ver novamente seus olhos. Se eles te revelarem mais do que de costume não se assuste... É apenas uma nova fase acima.

terça-feira, outubro 17, 2006

Festival Varadouro acontecerá neste fim-de-semana

da Assessoria

Nos próximos dias 20 e 21 de outubro, acontece em Rio Branco no Acre, o Festival Varadouro. O festival tem como objetivo dar visibilidade a tudo o que vem ocorrendo na cena independente local, abrindo caminho para o rock brasileiro.Resultado da iniciativa de artistas, produtores culturais e do selo fonográfico acreano Catraia Records, o festival conta com 16 bandas como Porcas Borboletas(MG), MQN(GO), Macaco Bong(MT) e Los Porongas(AC).

Além dos shows, a segunda edição do festival oferecerá ao público a tenda eletrônica Aldeia Sideral, e uma série de debates indispensáveis para o crescimento da música independente nacional.O Festival Varadouro faz parte do Circuito Fora do Eixo de Música Independente e da Associação Brasileira de Festivais Independentes – ABRAFIn, dos quais participam, dentre outros os festivais o Porão do Rock (DF), Abril Pró-rock (PE), Calango (MT), Goiânia Noise e Bananada (GO) e MADA (RN).
Para mais informações:

domingo, outubro 15, 2006

Uma conversa...


- A maioria dos cérebros não alcançam nem 15% de sua capacidade. Nunca chegaremos à verdade.
- É por isso que nosso conhecimento é relativo, pois se usasse 100% estaríamos em um estágio de compreender a verdade. Uma verdade absoluta.
- Mas não podemos chegar a uma verdade absoluta.
- Então não poderemos usar 100% da capacidade do cérebro.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Espaço Cubo documentará cena do norte em tour

por Marielle Ramires
da Imprensa EC
E mais uma empreitada do Espaço Cubo começa amanhã, quando o colunista Ney Hugo, da Imprensa EC, embarca na tour "Independência ou norte", promovida pela Cubo Comunicação, com a proposta de documentar todos os detalhes que vão rolar nos festivais Casarão, que acontece neste sábado (14) em Porto Velho (RO), e Varadouro, que rola nos dias 20 e 21, em Rio Branco (AC). A idéia é mapear a cadeia produtiva desse caldeirão pulsante da cultura fora do eixo, através de entrevistas com produtores, representantes de selos e bandas. Além desta missão, Ney Hugo será o representante do Espaço Cubo no I Seminário de Rock na Floresta "Cultura e História", quando participará das mesas sobre a importância da mídia no cenário musical e o norte no cenário musical nacional. Para mais informações acesse http://www.fanrock.com.br ou a comunidade do Festival Beradeiros, no Orkut.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Brincadeira.

Este mundo malvado de egos famigerados. A gente tenta ser humilde e sempre tem alguém que quer pisar em você. Daí é o jeito mostrar alguns truques que aprendeu. Às vezes você acaba exagerando, mas quem manda provocar? Ele se acostumou assim. Talvez seja o único lugar que ele tem pra fugir. Varrer tudo pra debaixo do tapete. Para debaixo dos outros. Fica tirando com quem ele julga ser inferior acaba se dando mal.

Essas pessoas que aparentam ser ridículas. Que ficam julgando os outros. Que ridículo. Como pode falar de alguém por pura inveja... Vingança é a demonstração de inferioridade. Que falta de... Alguma coisa. Frustração trazida da criação. Todos têm. Eu tenho, tu tens, eles observam, todos detonam. Poucos ajudam. Às vezes nem os amigos. Não sabem como... Fica por isso mesmo. Coisas da auto-análise. Auto-exame.

Eu não quero mais brincar disso. Pira-paz não quero mais. Meu cadeado é a Lua. Vamos brincar de pira ajuda? Quem vai ser a mãe? Não importa. Quem começar vai ter que pegar alguém e esse alguém vai ser a mãe... Duas mães vão se ajudar a pegar os outros meninos fujões... Rebeldes. Depois que acabar não quero passar pra pira-alta. Quem estivar no alto não pode ser pego. Só os que estão embaixo. Esses podem morrer na mãe porque não subiram. Quer saber... Segue sempre o teu caminho. Deixa quem quiser falar. Embaixo. Em cima. Cuidado pra não pisar em alguém. Fique apenas com o que é seu. Pare de olhar para os outros.

Que tal pira esconde? Confere até trinta e um alerta e eu me escondo. Todos nós nos escondemos. Tente nos achar, mas cuidado. Tem que ser de um lugar seguro. Se me achares posso sair correndo e bater primeiro que você. Fique esperto. Não vale olhar enquanto confere. Se falar o nome errado anulou, hein? Não tente adivinhar onde estamos. Venha pessoalmente e procure. Deixe de preguiça. Ou você é café com leite? Só vale ir embora quando tudo terminar... Ou quando pedir pira-paz. Não dê pressão. Cada um corre como pode. Todos estão tentando encontrar alguém... Alguma coisa. Uma razão que pode estar fora da razão. Não estoure o garrafão. Se fizer isso os outros podem sair correndo pra te pegar e eles podem te machucar. Saia pela saída.

Fique alerta. Só pegue a bandeirinha se boa parte do outro time estiver colado, senão colado você vai ficar. Não se esqueça que vivemos no mundo da roda, no mundo da roda a girar. Na roda do mundo girando, e estamos no mundo a rodar.

Revisão

Estive analisando umas coisas e acabei descobrindo algumas em mim que preciso mudar. Não que eu não esteja fazendo isso boa parte do tempo. É por que existem algumas que estão escondidas em um canto muito profundo do cérebro. Você é condicionado a tomar certas atitudes e acaba não se tocando de outras.

Acho que de um tempo pra cá me tornei muito chato. Acabei monopolizando a conversa demais e não deixei meus amigos a vontade. Preocupava-me apenas em ficar expondo as minhas idéias e acabava recebendo pouca coisa do que os outros tinham a me passar. Vejo agora o erro que estava cometendo. É certo que existem coisas que tenho extrema necessidade de falar pra alguém, mas essa empolgação acabou fazendo com que outras pessoas não se sentissem a vontade. Todos acabam tentando me entender, mas às vezes acho que é complicado pra eles. Eles sabem que não faço isso de propósito. O problema está aí. Se fosse de propósito eu poderia me controlar ou eles poderiam tentar me corrigir, mas como acontece quase inconscientemente fica mais complicado observar esta falha.

Ainda bem que estou me tocando disso a tempo e tentando, ao máximo, me corrigir neste ponto e espero encontrar outros para que eu possa ser uma pessoa que conviva melhor comigo mesmo, com as pessoas próximas e não próximas. Não quero ser considerado o chato ou o inconveniente. Sei que alguns vão chegar e falar “pára com isso Zab, tu já tá na tua neura?”. Eu sou assim mesmo. Às vezes acho que sou desligado de algumas coisas, mas em outras acredito que percebo mais facilmente.

Na verdade estou de saco cheio de muitas coisas. Esse personagem que criei chamado PauloZab acabou saindo do papel e procurou passar para a vida real usando a minha personalidade. É isso o que acontece quando se mistura o irreal com o real: um estágio escroto de esquizofrenia. Não que andasse por aí vendo coisas, mas é que algumas verdades que tomei para mim eram imensas mentiras. As pessoas também não podem confundir, eu não sou PauloZab, ele só existe na Internet. Parte dele é parecida comigo. Acho que ele é a personificação de um extremo meu. De pensamentos difusos que fazem projeções superficiais do verdadeiro eu.

A fuga de escrever que duraram meses fez com que essa figura ganhasse vida, mas agora ela está sob controle e a criatura não voltará a importunar o criador e nem as pessoas próximas dele. Tudo bem, as pessoas podem me chamar assim, mas elas têm que entender que isso não passa de um nickname. É preciso separar as coisas. Todos sabem que a minha cabeça é frágil. Sei que a deprê já passou e o estágio de intoxicação também, mas, por favor, não ressuscitem a minha paranóia. A visão da minha infância já foi o suficiente pra mim.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Uma psicografia


É, enquanto a professora me informava que eu havia me dado mal novamente em América I eu desenhava e copiva o assunto...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Graforréia Xilarmônica e Repolho

Por Demétrio Panarotto




Pela terceira vez, oficialmente, a banda Graforréia Xilarmônica se apresenta em Chapecó, a capital do rock catarinense. As duas últimas vezes que eles estiveram na cidade foi há mais de dez anos, em 1994 e 1995 pra ser mais preciso. Em 1999, ainda, teve uma apresentação do Frank Jorge e do Marcelo Birck tocando os clássicos da banda em uma versão sem bateria (o Birck é da primeira formação da banda e hoje, além d’ Os Atonais, trabalha em carreira solo). Mais uma vez a parceria acontece com a banda Repolho – que cita a Graforréia como uma das influências - velha conhecida de guerra. Para o público fica a expectativa e a oportunidade de ver (para muitos rever) e prestigiar esse grande acontecimento, que vai rolar dia 14 de outubro no Live Café.

GRAFORRÉIA XILARMÔNICA é um expoente da música alternativa. Cada vez mais cultuada, serve de referência e influência para muitas bandas do rock nacional. A banda segue firme e se prepara para lançar, em novembro, um disco ao vivo com os grandes sucessos do grupo mais algumas inéditas. O disco foi produzido pelo Kassin também produtor dos Los Hermanos e Caetano Veloso. Algumas bandas do rock nacional gravaram músicas da Graforréia a exemplo do Pato Fu, que regravou a musica “Nunca Diga” e a musica “Eu”, esta última, uma das músicas mais executadas em todas as rádios do país no ano de lançamento do disco Ruído Rosa. Wander Wildner também regravou a música “Empregada” no seu primeiro disco solo. O público pode esperar ansioso porque muitos sucessos de todos os tempos como “Amigo Punk”, “Você foi embora”, “Eu”, “Nunca Diga” entre tantos outros estarão presentes no set list do show. A banda é formada por Frank Jorge (Baixo e vocal), Carlo Pianta (guitarra e vocal) e Alexandre Ograndi (bateria) .

REPOLHO segue a divulgação do terceiro e recém lançado disco se apresentando (depois de ter tocado, recentemente, em Curitiba, Florianópolis e Guaramirim, no Curupira) mais uma vez em Chapecó. O show é (e vai ser) aquela alegria e empolgação de sempre contando com o repertório já conhecido do público. A grande novidade é que colonagem cibernética se fará presente através de inúmeros elementos visuais e espaciais.

A banda é formata atualmente por Demétrio Panarotto (guitarra) Roberto Panarotto(vocal) Ricardo Bellei (bateria) e Michel Marcon (baixo) .

Vale lembrar que Repolho e GX fizeram vários outros shows juntos, além destes em Chapecó: o primeiro deles em Curitiba, em 1993, e outros quatro em Porto Alegre, dois deles no Opinião - isso tudo durante a década de 90. Mas as parcerias não param por aí, o primeiro e o segundo disco do Repolho foram produzidos pelo Birck - além do 2Violão e 1Balde: no primeiro, lançado em 1997, contou com a participação especial do Frank e do Pianta e no segundo, lançado em 2001, o Pianta volta a participar enquanto o Frank fica responsável pelos baixos do disco. Em um outro projeto, o compacto “Sorria meu Bem”, as quatro faixas do disco conseguem reunir, além dos integrantes da Banda Repolho, os quatro graforréios da formação original, Leandro Blessmann (Benga Music) Diego Medina (Doiseumimdoisema, Vídeo Hits, Os Massa...) e os Irmãos Dreher – uma ode coletiva e bem humorada.

Festa no Casarão ANO VII em Roraima

Dia 14 de outubro com as bandas:

10:00 Made In Marte - RO
10:30 Tatudikixuti – Ji-Paraná - RO
11:00 Rádio Ao Vivo - RO
11:30 Coronel Church - RO
12:00 Scrooff - RO
12:30 Ultimato - RO
01:00 Los Porongas – AC
01:30 Camundogs - AC
02:00 Sedna - RO
02:30 Sapatos Bicolores - DF
e o DJ LEUDSONDJ MITSON

2 ambientes
Open Bar

Ingressos antecipados
30 reais na For YouChilli Beans Sandubas

sábado, outubro 07, 2006

Tudo bem :)

É, eu acho que agora vai... Não tive mais nenhuma recaída e já não to com falta de memória. Ainda bem que estes dias chegaram, estar assim é o que eu tava precisando. Quando a gente adoece e fica muito ruim você fica imaginando “que legal é ter saúde e poder comer direito e ficar sem essas seqüelas escrotas” e etc...

Agora que to meio curado é mais bacana, porque de certa forma acabei tendo saudades de ter saúde. De sair por aí e não se proteger para a umidade da lua não pegar pesado e tal. Saudade de estar curado.

A cara de debilitado já se foi e meu fígado não ta mais doendo. Meu estômago ainda não aceita muito bem o refrigerante, mas beber suco ou apenas água em todos os lugares que vou realmente me dá muito apetite. A Marcela até disse que eu to mais forte.

Bacana isso porque agora eu sinto que estou respirando melhor e espero continuar melhorando até infinito + 1.

Há braços em todos os ameguenhus!!!

quarta-feira, outubro 04, 2006

Memoriando.



Lembrar é preciso, mas como? Com documentos históricos? Com um monte de papéis que foram escritos pelas mãos dos que dominaram a sua época? Ou por um vestígio arqueológico e suas teorias de cultura material? Talvez por uma fonte confiável, mas como você reproduziria esta história? É claro que ela está registrada para ser analisada, mas com que olhos você fará esta investigação? Parcial? Imparcial? Esconderia um documento importante só porque o nome de uma das personagens não soa bem? E se estas memórias fossem apenas na sua cabeça? Como você esconderia alguma coisa se a memória viesse de dentro? Como fugir? Como abafar? Como deixar pra depois? E aí você se lembrasse de seu passado distante... Recém saído do útero? E se as memórias fossem tão longe a ponto de chegar aos seus momentos noutro continente e em outras eras? O que você faria? O que você acharia?... Aonde você chegaria? E se ele te acusasse? E se ele te aprovasse? E se ele te revelasse? E se ele te cobrasse? E se ele te pagasse? E se ele te esclarecesse? E se ele te modificasse? E se ele te derrubasse? E se ele te levantasse? E depois, quando você voltasse? Abriria logo seus olhos? Iria pra sua casa dormir? Mas e se seu espírito viajasse? E se depois brilhasse e nos Astrais chegasse?

1º Circuito Decibélica

Revista Decibélica e Fósforo Records apresentam show com as bandas:

20:00 - Goldfish Memories (uma das bandas novas que mais se destacou nesse ano)
20:30 - Bang Bang Babies (Com Cd recém lançado pela Fósforo Records)
21:00 - Gramofocas(DF) (Punk rock com cerveja)
21:30 - Os Rockefellers (O Retorno)
22:00 - Rockassetes(SE) (Campeã de votos na votação para a Capa da Decibélica)
22:30 - Supergalo(DF) (Banda que tem ex integrantes do Rumbora e Raimundos)
23:00 - Faichecleres(PR) (Saindo da Turnê Banda Antes MTV e concorrendo ao VMB)
23:30 - Rollin Chamas ( Um dos melhores shows Locais)

*Discotecagem com as deliciosas MENINAS DO ROCK e ÁREA 51 na parte externa do Martim
*Bandas de Blues se apresentando na parte externa do Martim

Local: Centro Cultural Martim Cererê
Data: 11 de Outubro( Quarta Feira - Véspera de Feriado )
Horário: 20 horas
Ingresssos: 12 antecipado e 15 no local

Pontos de Vendas:
Ambiente Skate Shop
RedRum
Rock a porter
Hocus pocu

sábado, setembro 30, 2006

Festa no Casarão divulga programação

por Ney Hugo
Foto: Renato Reis (Belém(PA)

Tem mais evento Fora do Eixo acontecendo por aí. Essa semana quem divulgou a programação foi o pessoal da Festa no Casarão, que ocorre em Porto Velho(RO). Dá uma olhada:

10:00 Made In Marte - RO
10:30 Tatudikixuti - Ji-Paraná - RO
11:00 Rádio Ao Vivo - RO
11:30 Coronel Church - RO
12:00 Scrooff - RO
12:30 Ultimato - RO
01:00 Los Porongas - AC
01:30 Camundogs - AC
02:00 Sedna - RO
02:30 Sapatos Bicolores - DF


O Festival acontece uma semana antes do Varadouro(AC) e o bacana dele é que, além dos shows, rolará também a reunião com produtores, jornalistas, bandas e afins que já virou hábito nos festivais do Circuito. E vale lembrar que a Cubo Comunicação foi uma das convidadas para participar dos debates sobre comunicação alternativa. As conversas já vem acontecendo e maiores detalhes e novidades a gente posta em breve por aqui.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Festival Varadouro, no Acre: mais um caminho para o rock brasileiro

Acontece nos dias 20 e 21 de outubro de 2006, no espaço Mamão Café, em Rio Branco-Acre, a segunda edição do Festival Varadouro, o maior evento de música do Estado. O Varadouro é uma iniciativa de artistas, produtores culturais e do selo fonográfico acreano Catraia Records e conta com o patrocínio do Governo do Acre e da iniciativa privada.

Durante dois dias o Varadouro vai transformar Rio Branco na capital do rock alternativo brasileiro, reunindo bandas como Moptop, Walverdes, MQN, Macaco Bong, Porcas Borboletas, Los Porongas e mais de trinta convidados entre jornalistas e produtores da cena independente brasileira, que darão cobertura ao evento e contribuirão para a importante discussão em torno das alternativas para a emergente produção musical do país.

O festival visa a inserção definitiva do Acre no circuito musical independente brasileiro através do fortalecimento da cadeia produtiva nacional com ênfase na contribuição amazônica para o processo revolucionário pelo qual passa a música contemporânea do país. Além disso, o intercâmbio e a expressão na mídia nacional estabelecem referenciais para melhoria da qualidade técnica e estética da produção local.

O Festival Varadouro faz parte do Circuito Fora do Eixo de Música Independente e da Associação Brasileira de Festivais Independentes – ABRAFIn, dos quais participam, dentre outros, os festivais Porão do Rock (DF), Abril Pró-rock (PE), Calango (MT), Goiânia Noise e Bananada (GO) e MADA (RN).

Programação: música e debate

A programação do Festival Varadouro contará com apresentações de 16 bandas nos palcos Cachoeira e Bom Destino, durante os dois dias de festival. No dia 20/10 se apresentam Gogó de Sola (AC), Mamelucos (AC), Ultimato (RO), Nicles (AC), Coletivo Rádio Cipó (PA), Macaco Bong (MT), Camundogs (AC) e Moptop (RJ); e no dia 21/10, Auttreyd (AC), Fire Angel (AC), Mezatrio (AM), Álamo Kário (AC), Porcas Borboletas (MG), MQN (GO), Los Porongas (AC) e Walverdes (RS).

Além dos shows, o Varadouro também vai contar com uma série de debates, fator indispensável para que o crescente movimento de música independente nacional continue a se organizar. Da extensa programação destacam-se a apresentação e as reuniões do Circuito Fora do Eixo e da ABRAFIn, bem como o debate "Independência ao Norte", ocasião em que produtores de toda a região norte e de outras regiões brasileiras discutirão alternativas para a inserção definitiva do norte no circuito musical nacional.

Serviço

O que: Festival Varadouro
Onde: Mamão Café, Rio Branco – Acre
Quando: Dias 20 e 21 de outubro
Outras informações em breve no site: www.festivalvaradouro.com.br

segunda-feira, setembro 18, 2006

Circuito Fora do Eixo lança canais de comunicação na Internet



O Circuito Fora do Eixo lançou neste domingo (17/09) seus dois primeiros veículos de comunicação: A rádio Fora do Eixo e a Web TV com nome homônimo, ambas hospedadas no site Loaded-E zine.com.

Os projetos são assinados pelo núcleo de produção de conteúdo, encabeçada pelo Espaço Cubo, Instituto Cultural com sede em Cuiabá-MT, produtora do Festival Calango, Grito Rock e Semana da Música.

Além desses primeiros lançamentos, veículos que vão desde o portal, em fase de construção, aos zines virtuais, comporão o mix de mídias distribuídas via e-mail ao público cadastrado. Isso sem contar o aporte de informações à imprensa de todo o país, cuja distribuição de conteúdo será feito via Agência Cubo, que possui os trabalhos focados na promoção de mídia espontânea.

A expectativa é que até em novembro todos os canais de comunicação estejam em pleno funcionamento, já que previsão de lançamento do portal é para o dia 21 do mês, data de início da 12ª edição do Goiânia Noise.

Para completar o mix, um poadcast mensal com músicas de bandas do circuito será produzido pelo Urbanaque, site parceiro do circuito.

Fora do Eixo - Os veículos tem como meta publicizar os avanços que o movimento vem alcançando gradativamente com a integração de novos estados na rede de circulação de bandas, distribuição de produtos e difusão de informações, numa perspectiva de estabelecer uma cultura de troca diferenciada das praticadas pelas majors e grandes gravadoras do mainstream.

Hoje já são mais de 14 estados integrados. Da Região Centro-Oeste, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal; do Norte, Acre, Rondônia, Tocantins, Amapá, Amazonas , Pará; do Nordeste, Rio Grande do norte, Pernambuco, Sergipe; do Sudeste, São Paulo, Minas Gerais; do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul. . Todos representados por selos, bandas, produtoras, institutos, veículos de comunicação, entre outros agentes multiplicadores.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Jornada em nome do Rock

Indo pro Festival Calango


A viagem já iniciou como uma viagem. Saí de Macapá deixado no aeroporto por alguns amigos. Depois dormi no aeroporto de Belém até amanhecer porque o táxi de lá até a rodoviária é muito caro e eu sempre viajo com pouca grana. Amanheceu e tomei um bonde até a rodoviária (rs), foi lá que descobri que só ia sair pra Goiânia às 22:30 hs. Fui pra net pra ver se encontrava algum conhecido onde eu pudesse ficar, não é difícil, Belém é como se fosse uma Macapá grande. Culturalmente temos muitas semelhanças e é comum encontrar pessoas de Macapá que vão para lá estudar. Falei com uma amiga e ela disse que podia ficar na casa de outro amigo. Ufa!

À noite peguei o ônibus e rumei pra Goiânia, o ônibus estava quase vazio. Tinha no máximo cinco passageiros, mas foi legal. Não interagi com ninguém, mas fiquei olhando a paisagem, dormindo e olhando as estrelas nestas 32 horas de estrada. Tive alguns sonhos e pesadelos que eu não lembro, mas o pesadelo foi falta de oxigenação na parte esquerda inferior do cérebro (sabiam que pesadelo é falta de oxigenação no cérebro? rs). Nas paradas eu tirava um tempinho pra dar uma volta sozinho porque ninguém é de ferro e eu queria olhar melhor a paisagem.
Cheguei na rodoviária às seis da manhã e esperei até as nove para rumar para Cuiabá. O trecho foi tranqüilo, afinal de contas 15 horas não é nada para quem rodou 32. O bonde também estava meio vazio, só um pouco mais cheio e eu continuei ocupando duas cadeiras (rs). A diferença é que a paisagem mudou: ao invés de florestas vi latifúndios que pareciam não ter mais fim, passava horas olhando latifúndio até dormir, depois de acordar olhava pra janela e via mais latifúndio.


Em Cuiabá.


Cheguei em Cuiabá por volta das duas da madruga e perdi a maioria das bandas do primeiro dia (18). Foi uma pena não ter visto Johnny Suxxx ’n the Fucking boys (GO), Rockassetes (SE), Sinestesia (TO) e Enne (MG). Na verdade assisti só à Subtera (PR). Peso nervoso e deu pra ver que eles vão votar nulo. Acho que foi a única parte que deu pra entender do vocalista estilo Death Metal. Mas a recepção foi boa e a recepcionista também (rs). Logo de cara descobrimos que a lendária Cerveja Crystal era grátis (essa deu história rs). Como esperado, a galera dos bastidores e do hotel são super gente fina.

Conviver com o povo que só curte Rock é muito melhor. Na rodoviária, enquanto esperava o carro que vinha me buscar, conheci a galera da banda Pelebroi Não Sei (PR). Os caras são gente boa e me deram um CD, o terceiro, intitulado Aos Farsantes com carinho. Avistei o pessoal do Madame Saatan (PA) e do Ludovic (SP), que esperava muito conhecer. Na verdade me interessei por eles quando li uma matéria aqui no Overmundo descrevendo um show da banda, acompanhe em O Espaço do Baixo e Vil.

Logo de cara pude ver que a qualidade do festival estava muito boa. A galera do cenário do rock Nacional tanto das bandas como da produção e comunicação está marcando presença. Acredito que a maioria levou material.


Sábado (19)


À tarde, rolou um churrasco underground no hotel. A coleta foi de R$ 5,00, mas valeu a pena. Organização duríssima da figura mais conhecida como "Professor". Foi tudo muito regado com gentis doses de originalidade e gente boa, só figura. Tive a oportunidade de bater um papo com o pessoal do Ludovic (é, eu curto mesmo!). Os caras são tão massa quanto o som deles e o baterista é uma figura elétrica que não pára nunca rs. Pena que no final da tarde tive que ir pro Calango na Mesa. Um grupo de discussão importantíssimo que visa a parte séria da coisa. A idéia é criar um portal integrado que mapeie a produção das regiões Fora do Eixo Rio-São Paulo para que essa produção escoe em festivais e pela internet. Engraçado porque foi a primeira vez que falei com o Pablo Capilé, ele viu que estava meio enrolado na estrada e pensava que estava perdido até aquela hora em algum lugar do Brasil rs.

À noite, a arena onde as bandas se apresentaram bombou. A banda Mezatrio (AM) fez uma apresentação empolgante. É incrível ver a evolução do rock na Amazônia. E por falar em rock na Amazônia, não poderia deixar de destacar Los Porongas (AC). O som deles é muito louco. É uma banda de qualidade e as letras são muito boas. Chegam a ser emocionantes. Aplauso para os caras que vieram do Acre e arrebentaram e a banda deles tá virando. Tive o maior prazer de ir lá bater um papo com eles e falar que é isso mesmo que temos que fazer: mandar ver no nosso som sem se preocupar com a distância do Eixo. O legal é que eles também sabem disso.

Meus amigos da banda Pelebroi Não Sei (PR) mostraram que não são apenas figuras legais. Eles tocam muito e são muito performáticos no palco. Um punk rock muito firme. Em seguida teve a apresentação de Macaco Bong (MT), uma ótima banda. É instrumental que tem o baixista (Ney), o guitarrista (kayapy) e o bateirista (Ynaiã) arrebentando. Os caras não brincam de tocar não, ou tocam tanto que parecem brincadeira (rs).
Depois deles foi a apresentação de Ludovic(SP). Putz, pirei. A banda tocou algumas músicas do novo disco que acabou de ser rodado. Ele se chama Idioma Morto e, segundo o vocalista Jair Neves, é melhor do que o primeiro disco, Servil. Ainda bem que ele não quebrou nada no palco, mas fez uma lambança infernal que assustou a todos. O Beto da Revista Decibélica não acreditou que aquele jovem pacato do hotel era o mesmo que estava virando bicho no palco.

A performance de Vanguart (MT) foi firme. Mostrou ter muito talento e personalidade. Gostei muito e o público mato-grossense deu um toque especial para os jovens que ainda vão longe.

A noite foi fechada com estilo. Pernambuco mostrou que continua produzindo música de qualidade. A banda Astronautas mandou um som de responsa e mereceu todos os aplausos possíveis. Os caras estavam vestidos de astronautas enquanto cantam "eu posso apagar a bomba atômica com meu controle remoto", empolgante e a proposta é muito interessante. Os efeitos não negam uma tendência nacional que é de se aproximar mais dos sintetizadores e distorções.

A noite de sábado foi muito gratificante. Comecei a constatar que estava valendo a pena ter viajado tanto. Fiz alguns contatos importantes para a cena nacional de rock fora do eixo. Em todos os lugares a galera comentava sobre as bandas como Madame Saatan, que também arrebentou no primeiro dia.


Domingo (20)


No domingo também foi duro de sair da cama, mas meio-dia já estava em movimento para não perder o esperado almoço (rs). De lá fomos pra o Museu da Imagem e do Som de Cuiabá para conversar-mos sobre o Circuito Fora do Eixo, discussão essa que se mostrou muito produtiva, pois pude trocar idéia e contatos com a galera do Norte, tipo o pessoal da Banda Los Porongas(AC) que também é da organização do Festival Varadouros. Falei com o pessoal da Banda Coveiros (RO), que se apresentou no primeiro dia e com várias figuras pontuais das cenas regional e nacional.

Acredito que esta construção da cena alternativa não deve, de forma alguma, se centrar em regiões, mas vejo o fortalecimento da interação de estados próximos como um passo a ser dado rumo a uma melhor integração nacional. Daí a minha preocupação em trocar idéia com os amigos da região. Maiores informações podem ser adquiridas com o pessoal do Espaço Cubo.

A discussão durou um pouco mais tarde do que deveria, isso fez com que eu chegasse na hora de ver Unknown Project (SP), banda que também explora bem o vocal e as dirtorções. Depois veio Lucy and the Popsonics (DF), que mostraram um estilo de rock que eu chamaria de Circus Music pelo performance de palco bastante envolvente. Esses têm futuro e a Fernanda é uma gracinha.

Um dos pontos fortes da noite veio do Paraná. Trilobita mandou ver. Realmente não dá pra não se empolgar com a mistura eletrônica regida ao som de Guitarra Synth (Mizão) e do curioso instrumento Theremim operado por Dino, que também faz o som programado. Obrigado por terem criado mais uma banda legal galera.
Uma apresentação que esperava muito era a da banda Caximir (MT), pois já tinha boas referências dela. Tive a oportunidade de escutar o vol. 2 e gostei bastante. Eles mostraram que tem um publico fiel em Mato Grosso e a performance de palco é muito interessante.

Outra banda do Norte que mandou muito foi La Pupuña (PA), todo mundo se impressionou. O som deles recebe misturas da região e algum peso na batida, mas isso não cobre o espaço dos tradicionais solos de carimbó que realmente ficaram muito bons. Escutei algumas pessoas dizendo que foi e melhor apresentação do festival.

A noite e o Festival foram fechados com grande estilo, Graforréia Xilarmônica (RS) é uma banda que é um marco para a geração independente atual. O Joca da Pelebroi Não Sei (PR) me falou logo quando chegamos que aquele era um momento muito especial, pois o trabalho da banda deles era inspiradíssimo no da lendária Graforréia. Percebi na hora da apresentação, que foi foda, os olhares e entusiasmos do público e de boa parte das bandas que tocaram no festival. Parecia mesmo uma classe com professores falando na frente. Frank Jorge (Baixo) também trabalhou junto com Flavio Basso (Júpiter Maçã) nos anos 80 em projetos como Cascavelletes. Ao todo são mais de vinte anos de estrada independente, é mole?


Retorno


Depois de tudo voltamos para o hotel em um ônibus onde pude constatar que o batera do Ludovic realmente não é normal (existe algum normal na banda? rs). O cara não se aquieta. Acordei em minha cama, conversei com os amigos tão ou mais ressacados que eu. Uma cena que não me esqueço foi a que o Victor da Revista Decibélica com uma Marmiterx na hora do almoço da segunda feira. Ele comia e reclamava "ai meu Deus, já tô ficando preocupado. Essa marmita já tá na metade e a fome não passa!" hauhauha.

Me despedi da galera e parti na jornada de retorno às três da tarde juntamente com o pessoal do Madame Saatan, chegando na rodoviária de Goiânia pudemos contar com a ótima hopitalidade da galera da Revista Decibélica.

Descobri por que o Victor é tão louco por comida: o pai dele tem um restaurante lá que serve um ótimo rango (o piquí não falta, é claro). A oferta da casa foi boa. Eu ia ficar lá por mais tempo pra jogar RPG e vídeo-game e conhecer um pouco mais da cidade, mas não deu. Na verdade, o Beto já estava começando a perder feio de mim no KOF (que vergonha rs). Fica pra próxima. O importante é que abrimos contato e conhecemos o Estúdio da Monstro, que, a exemplo da cena alternativa em Goiânia, vem crescendo de forma muito empolgante fora do Eixo. Exemplo disso é o Festival Goiânia Noise. A Celulose fez sucesso hein Gustavo?

Cheguei em Belém junto com o pessoal do Madame. Foi muito produtivo mantermos a relação de horas de ônibus (Transbrasiliana hauhauha) e pude confirmar, apesar de ter perdido o show deles em Cuiabá, que eles são uma banda foda e que já tem ótimas referências nacionais. Material de qualidade para qualquer estúdio. Já andaram tocando aqui em Macapá, mas não deu para assistir.

Por fim descansei mais uns dias em Belém, peguei o vôo pra Macapá e socializei o material com o pessoal daqui. A jornada foi grande, e eu não podia deixar de dar um retorno para a cena na minha cidade. Acredito que o advento da internet e iniciativas como a Tramavirtual e o Overmundo encurtam as nossas distâncias e fazem com que nossas diferenças culturais sejam menos impactantes. Espero que em breve possamos fazer um sistema de festivais que aglutine bandas de todos os Estados do Brasil para que a cena não gire em torno apenas dos lugares onde existe um mercado mais acentuado e sim que se considere a qualidade de cada produção e as características culturais do rock em cada Estado.

Também é importante aos festivais que já têm alguma estrutura a preocupação com os espaços onde os mesmos não são tão bem estruturados. A organização do Calango está de parabéns por ter tido a iniciativa de me convidar, apesar de não fazer parte de banda e sim atuar como jornalista e militante pela cena alternativa onde o isolamento é mais evidente. Esta cultura tem que ser mantida para que o convite não se estenda apenas a jornalistas que já estão dentro dos eixos e que trabalham em grandes veículos de comunicação. É claro que é importante que os organizadores se preocupem com a divulgação de "seus" festivais, mas a preocupação pelo fomento e a retirada de preconceitos deve ser uma constante para o fortalecimento de nossa cena alternativa regional e nacional. Também para que não sigam exemplos de atividades de Estados vizinhos que não têm essa visão, apesar de terem seus méritos e também passarem por etapas iniciais onde a experiência ainda está sendo adquirida.

quinta-feira, setembro 07, 2006

5º Festival Vaca Amarela em Goiânia (GO)

Local: Clube Social Feminino
Ingresso: 15 reais por dia, 25 o passaporte

SEXTA - DIA 22/09

18:00 - Sapo Verde
18:35 - Woolloongabbas
19:10 - Sangue Seco
19:55 - Lake
20:40 - Casa Bizantina
21:35 - Porcas Borboletas (MG)
22:20 - Mersault e a Máquina de Escrever
23:05 - Pétala Mecânica
23:50 - Chapéu, Cerveja e Frustrações
00:35 - Rogério Skylab (RJ)

SÁBADO - DIA 23/09
17:00 - Sórdidos
17:35 - Pelúcias
18:10 - Picolé de Nervo
18:45 - Perfect Violence
19:20 - Yglo
20:05 - Techinocolor
20:50 - Violins
21:35 - Bang Bang Babies
22:20 - Macaco Bong (MT)
23:05 - Johnny Suxxx and the Fucking Boys
23:50 - Valentina 00:35 - Ludovic (SP)